Judiciario
Alvo de operação rompe tornozeleira e Justiça manda prender
O Ministério Público do Estadual (MPE) pediu à Justiça a decretação da prisão de Cleyton Cesar Ferreira de Arruda e a prorrogação do monitoramento eletrônico de outros seis investigados na Operação Apito Final, por suposto descumprimento das medidas cautelares impostas.
Deflagrada em abril do ano passado, a Operação Apito Final investiga um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, com atuação concentrada na região do Jardim Florianópolis, em Cuiabá. A organização criminosa seria liderada por Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT.
Entre os investigados com pedido de prorrogação do monitoramento está a esposa dele, Cristiane Patrícia Rosa Prins.
De acordo com o MPE, relatório técnico da Coordenadoria de Monitoramento Eletrônico, que analisou o comportamento dos réus nos últimos 90 dias, apontou que alguns investigados romperam a tornozeleira eletrônica em diversas ocasiões e tentaram fraudar o sistema de rastreamento.
Diante dos indícios apresentados, a juíza Alethea Assunção Santos, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou, em decisão proferida nesta segunda-feira (14), a intimação de todos os investigados mencionados para que apresentem justificativas.
Além de Crisitane Prins, o Ministério Público Estadual solicitou a manutenção e prorrogação do monitoramento eletrônico para os investigados Mayara Bruno Soares Trombim, Fabiana Maria de Cerqueira dos Santos, Thassiana Cristina de Oliveira, Tayrone Júnior Fernandes de Souza e Alex Junior Santos de Alencar.
Em relação a Cleyton Cesar Ferreira de Arruda, o Ministério Público requereu a revogação da medida cautelar e a decretação da prisão preventiva, em razão das “gravíssimas violações” constatadas.
Conforme o MPE, Cleyton teria rompido a cinta da tornozeleira eletrônica em duas ocasiões, permanecendo mais de 23 horas sem qualquer sinal de rastreamento, além de ter sido identificado o uso de corpo estranho e presença de metal, o que indicaria tentativa deliberada de burlar o sistema de monitoramento.
Os demais investigados apresentaram falhas recorrentes no uso adequado do equipamento, como ausência de sinal GPS/GPRS, bateria descarregada e movimentações sem localização válida, inclusive durante o período noturno e em prisão domiciliar. Diante disso, o MPE recomendou uma advertência formal, alertando sobre a possibilidade de regressão para prisão preventiva em caso de novas infrações.
A operação
No total, a Apito Final cumpriu 54 ordens judiciais que resultaram na prisão de 20 alvos.
A investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apurou, no período de dois anos, que a organização movimentou R$ 65 milhões em bens móveis e imóveis adquiridos para lavar o dinheiro da facção.
Além dos imóveis e veículos de luxo, as transações incluíram a criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo, estratégias utilizadas pelo grupo para a lavagem de capitais e dissimulação do capital ilícito.
Análises financeiras realizadas pela Polícia Civil apontaram que os investigados, mesmo sem comprovação de renda lícita, adquiriram veículos como BMW X5, Volvo CX 60, Toyota Hilux, Amarok, Jeep Commander, uma Mitsubishi Eclipse e uma Pajero, além de diversos modelos Toyota Corolla.
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