Judiciario
Após prisão, empresária diz ter vivido dias mais difíceis da vida
A advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro afirmou nesta quinta-feira (3) que viveu os “dias mais difíceis” de sua vida após ser presa, em Cuiabá, durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal no dia 25 de agosto. Ela foi solta dois dias depois por decisão da Justiça Federal do Tocantins, que autorizou a operação.

Sou a maior interessada em esclarecer essa narrativa que construíram
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Thatiana também afirmou que sua imagem foi associada a uma narrativa que, segundo ela, não corresponde à realidade.
“Os últimos dias foram, sem sombra de dúvida, os dias mais difíceis da minha vida”, afirmou.
“Nos últimos dias, a minha imagem e o meu nome foram vinculados massivamente pelas mídias, narrando uma mulher totalmente descontextualizada com a Thatiana Rabelo da vida real”, acrescentou.
A Operação Bóreas investiga um grupo suspeito de organizar voos, utilizar aeronaves e pistas clandestinas e prestar suporte logístico para o transporte de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru para o Brasil. O processo tramita sob segredo de Justiça.
No pronunciamento, Thatiana afirmou que não comentaria os detalhes da investigação em razão do sigilo, mas disse ser a principal interessada em esclarecer os fatos.
“Existe uma investigação que corre em sigilo, em segredo de Justiça, e justamente respeitando todo o Poder Judiciário […] é que eu me abstenho de falar dessa investigação, em que eu sou a maior interessada em esclarecer essa narrativa que construíram de uma mulher com a minha imagem e meu nome. Não sou eu”, disse.
A empresária também agradeceu as mensagens que afirmou ter recebido de funcionários, ex-funcionários, clientes, amigos e ex-alunos desde a operação.
Thatiana destacou ainda sua trajetória de 25 anos em Mato Grosso, onde se formou em Direito e atuou como professora universitária e advogada antes de se tornar empresária.
Ela é sócia e administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, na região da Praça Popular, em Cuiabá. Também aparece como sócia das empresas Pietra Rabelo Semijoias e Rabelo Gestão e Produções.
“A história da Thatiana não começou semana passada. Ela começa há 40 anos, dos quais 25 anos são no Estado de Mato Grosso […] Obrigada a todos. A minha vida continua”, encerrou.
Veja vídeo:
Operação Bóreas
A ação resultou na prisão da empresária e de outras oito pessoas, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas.
Conforme as investigações da Polícia Federal, Thatiana teria atuado para viabilizar a ocultação de recursos financeiros provenientes de atividades ilícitas por meio da utilização de diversas contas bancárias e da aquisição de joias e imóveis, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos ativos.
As investigações tiveram início após a prisão de Márcio Rabello Mesquita Theodoro, irmão de Thatiana, em fevereiro do ano passado. Ele foi flagrado no Tocantins em uma aeronave que transportava 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta-base.
Após a análise do telefone celular de Márcio, os investigadores identificaram mensagens trocadas com pessoas que seriam integrantes do grupo criminoso.
Entre as conversas identificadas pela PF está uma troca de mensagens entre Márcio e Thatiana relacionada à aquisição de joias. Segundo os investigadores, os diálogos indicariam a negociação de bens de alto valor com o objetivo de dissimular a origem dos recursos.
Posteriormente, conforme a PF, Thatiana teria encaminhado a Márcio diferentes dados bancários para o recebimento de valores, incluindo contas em nome de pessoas físicas e jurídicas.
Durante as buscas na residência da empresária, em Cuiabá, foram apreendidos joias, relógios, veículos e dinheiro em espécie.
A defesa de Thatiana nega a participação dela no suposto esquema e sustenta que a mensagem trocada entre a empresária e o irmão é de 2024 e não teria relação com o objeto principal da investigação.
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