Judiciario
CNJ: Zampieri e Moraes trocaram 768 mensagens em seis meses
A decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que afastou o desembargador Sebastião de Moraes Filho do TJ-MT, em 1 de agosto passado, revela a relação de “amizade íntima” entre ele e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 5 de dezembro do ano passado.

O que denota não apenas proximidade, mas sugere que o vinculo entre ambos não tinha mesmo propósitos republicanos
A análise do conteúdo do celular do advogado mostra que em menos de seis meses (de 14 de junho até o dia da morte de Zampieri) os dois trocaram nada menos que 768 mensagens – uma média de 4,5 por dia.
Segundo trecho da decisão do ministro Luis Felipe Salomão, corrredor do CNJ, a qual o MidiaNews teve acesso, há “tratativas sobre processos que seriam julgados no TJ-MT, com defesa de teses jurídicas pelo advogado diretamente por aplicativo de mensagens, e não pelas vias convencionais de manifestação”.
O CNJ destacou também que, assim que a Polícia Civil chegou ao local do assassinato, encontrou “a última mensagem enviada pelo reclamado [desembargador] para o celular do advogado, já depois do homicídio, com as condolências próprias do momento”.
A troca de mensagens revelou “conversas banais e amenas” entre o advogado e o magistrado, “com comentários sobre futebol, piadas sobre política e mensagens de autoajuda com frases motivacionais”.
“Saudades”
O documento revela também que havia o compartilhamento da rotina do desembargador com o advogado, “como idas à barbearia, pilates, RPG, troca de fotos de viagens de férias e atualização sobre os locais por onde o desembargador passava”.
Em uma das mensagens, Zampieri disse que “estava com saudades do desembargador”, durante uma viagem de Sebastião.
O advogado, segundo o CNJ, também encaminhou notícias sobre inquérito em curso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que estaria investigando magistrados de MT por suspeita de venda de decisões.
“O que denota não apenas proximidade, mas sugere que o vÍnculo entre ambos não tinha mesmo propósitos republicanos”, diz o CNJ.
Outro ponto que chamou a atenção do CNJ diz respeito ao “acesso quase livre do advogado ao gabinete e à casa do desembargador, inclusive em horários não convencionais”.
Os diálogos foram fornecidos à Justiça pela Polícia Civil do Estado, que usou o programa chamado Cellebrite Reader para acessas as informações.
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