Judiciario
Eu vi meu pai urrando de dor; espero justiça, diz filha de Nery
A empresária Lívia Moreira Gomes Nery, filha do advogado Renato Nery, afirmou esperar que a justiça seja feita no julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, realizado nesta quarta-feira (15), pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá.

Eu vi o meu pai urrando de dor, sangrando. A gente entrou na ambulância junto. São cenas que jamais vou esquecer.
Alex é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como autor dos disparos que mataram o advogado em 5 de julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa da Costa.
Lívia relembrou os últimos momentos de Renato e disse que jamais esquecerá a cena em que o viu o pai “urrando de dor” após ser baleado em frente ao seu escritório.
“Eu vi o meu pai urrando de dor, sangrando. A gente entrou na ambulância junto. São cenas que jamais vou esquecer. Passaram-se dois anos, mas a minha memória é como se tivesse acontecido ontem”, declarou durante entrevista coletiva antes do início do julgamento.
Lívia afirmou que, apesar da expectativa pelo início dos julgamentos, não irá comentar questões jurídicas e nem sua expectativa de pena fixada ao réu.
“Eu não sou do meio jurídico. Quem vai determinar isso é a Justiça. Eu só espero que a justiça seja feita”, disse.
Ao relembrar o pai, a empresária destacou sua trajetória profissional e pessoal, afirmando que Renato Nery construiu a carreira com muito trabalho e sempre foi reconhecido pela ética.
“Meu pai estudou e trabalhou desde muito cedo. Era uma pessoa extremamente ética. Depois de tudo que foi investigado, não encontraram nada que denegrisse a imagem dele.”
À luz do dia
Para Lívia, uma das circunstâncias que mais a chocam é a forma como a execução foi realizada.
Reprodução

O advogado Renato Nery, morto em frente ao seu escritório em Cuiabá
Segundo ela, o crime demonstrou que os envolvidos não se preocuparam com o local nem com o risco para outras pessoas, já que o advogado foi morto em plena luz do dia, em uma das avenidas mais movimentadas da Capital.
“Mostrou que essa execução poderia acontecer em qualquer lugar. Aconteceu à luz do dia, em horário comercial, em uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Não importa se tivesse segurança, carro blindado ou qualquer outra coisa. Eles fariam essa execução”, afirmou.
Questionada sobre os valores que teriam sido pagos para executar o advogado, Lívia afirmou que esse detalhe não tem importância diante da perda da família.
“Pouco importa quanto foi. A vida do meu pai não valia dinheiro algum. Foram pessoas que se venderam”, disse.
A empresária também contou que os dois anos desde a morte do pai foram marcados por medo e insegurança.
Ela afirmou que trabalha no escritório onde Renato Nery atuava e passa diariamente pelo local em que ele foi assassinado. Apesar de dizer que a família está mais tranquila do que no início das investigações, revelou que ainda não consegue se sentir totalmente segura.

Mostrou que essa execução poderia acontecer em qualquer lugar. Aconteceu à luz do dia, em horário comercial, em uma das avenidas mais movimentadas da cidade
“A gente acredita que essa tranquilidade vai chegar quando todos os julgamentos terminarem. Hoje eu ainda não me sinto segura”, afirmou.
O caso
Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi assassinado em razão de uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim.
A acusação sustenta que a atuação do advogado no processo contrariou interesses econômicos do casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes do crime, que teriam decidido encomendar a execução após sofrerem derrota na ação judicial.
Conforme as investigações, para viabilizar o homicídio, o casal teria contratado os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no crime.
O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva é apontado como o executor dos disparos e será o primeiro a ser julgado pelo Tribunal do Júri.
Além dele, Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado em julgamentos futuros.
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