Judiciario
Goleiro acusa Cuiabá de assédio moral e pede R$ 175 mil no TRT
O goleiro do Cuiabá, Arthur Henrique, acionou a Justiça do Trabalho e pediu R$ 175,8 mil alegando ter sido afastado das atividades de forma irregular e ter tido salários retidos propositalmente nos meses de agosto e setembro.

Não verifico neste momento processual a probabilidade do direito e nem o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo
Arthur, que é jogador do Azuriz F.C., foi emprestado ao Dourado por contrato de cessão temporária, sendo cedido de 6 de janeiro a 30 de novembro de 2025.
Conforme o processo, Arthur requereu que a Justiça reconheça a rescisão indireta do contrato de trabalho, alegando quebra contratual grave por parte do clube.
O goleiro ainda pediu o pagamento de salários atrasados, auxílio-moradia, 13º salário e férias proporcionais, FGTS e multa de 40%, além de indenizações por assédio moral e danos morais, ambas no valor de R$ 18 mil. No total, o pedido alcança R$ 175.889,01.
Ele também solicita o pagamento da cláusula compensatória prevista na legislação esportiva, no valor de R$ 30,6 mil, e multa em R$ 25 mil.
Na ação, o atleta requer ainda tutela de urgência para que a decisão tenha força de ofício junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), possibilitando sua liberação contratual. Segundo a defesa, o ato é necessário para que ele possa assinar com outro clube.
O pedido, no entanto, foi indeferido pelo juiz Pablo Saldivar da Silva, da 3ª Vara do Trabalho de Cuiabá, em decisão no último dia 13.
O magistrado entendeu não haver, neste momento, elementos suficientes que comprovem o descumprimento contratual por parte do clube. Ainda destacou que a rescisão indireta depende de oportunidade de defesa ao clube.
“Assim, não verifico neste momento processual a probabilidade do direito e nem o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, situação sequer aventada pela parte demandante. Posto isto, indefiro o pedido de concessão de tutela de urgência”, decidiu.
Afastamento e retenção salarial
Na petição, o jogador afirma que vinha recebendo regularmente o salário, até que, no dia 10 de agosto, foi repentinamente afastado dos treinos com os demais atletas, por ordem direta do presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. Ele nem havia estreado pelo Dourado.
A decisão, conforme o documento, foi confirmada pelo preparador de goleiros do clube, Antônio Santos. Em prints anexados ao processo, ao ser questionado sobre o que levou à decisão, Antônio afirma que não sabe o motivo. “Sem motivo. Sem nada. Como sempre…”, escreveu ao goleiro.
Segundo o relato, desde então o atleta passou a treinar em horários e locais distintos dos companheiros, o que a defesa descreve como uma forma de “segregação” e assédio moral, com o objetivo de pressioná-lo a aceitar uma rescisão contratual em comum acordo, o que ele recusou.
O jogador sustenta que permaneceu impedido de trabalhar coercitivamente até o ajuizamento da ação e que, como represália, o clube deixou de pagar seus salários de agosto e setembro, enquanto todo o restante do elenco recebeu normalmente.
Outros prints mostram que o atleta confirmou com colegas que os pagamentos foram feitos a todos, exceto a ele.
O juiz marcou a audiência inicial para o dia 19 de dezembro de 2025, quando as partes deverão se manifestar sobre o caso.
Até o momento, o Cuiabá não apresentou defesa no processo.
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