Judiciario
Juiz aceita denúncia e casal vira réu pelo assassinato de Nery
A Justiça aceitou o aditamento feito pelo Ministério Público Estadual (MPE) à denúncia do assassinato do advogado Renato Gomes Nery e tornou réus o casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi.

Impõe-se a citação pessoal dos novos réus, sob pena de nulidade processual
A decisão é do juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá.
Segundo o MPE, novas diligências revelaram provas robustas do envolvimento direto do casal no homicídio. Julinere teria sido a mandante intelectual do crime, enquanto Sechi teria financiado a execução.
Ambos, conforme a denúncia, teriam agido movidos por ressentimento após perderem uma disputa judicial contra a vítima, relacionada à posse de uma área rural avaliada em mais de R$ 30 milhões, em Novo São Joaquim.
O imóvel em questão havia sido transferido a Nery como pagamento de honorários advocatícios, após mais de 30 anos de atuação jurídica em favor da parte vencedora na ação.
O aditamento também retifica a acusação contra o policial militar Ícaro Nathan Santos Ferreira, já denunciado anteriormente no processo.
Na decisão, o juiz ressaltou que o aditamento trouxe mudanças substanciais na peça acusatória, com a inclusão de novos réus e o detalhamento das condutas atribuídas a cada um, inclusive com imputações penais autônomas. “Impõe-se a citação pessoal dos novos réus, sob pena de nulidade processual, conforme orientação pacífica dos tribunais pátrios”, destacou.
Além de autorizar a inclusão de Julinere e Sechi no polo passivo da ação penal, o juiz determinou a citação de todos os réus e seus defensores para que se manifestem sobre as alterações da denúncia.
O casal vai responder por homicídio qualificado — por motivo torpe, uso de meio que resultou em perigo comum, e recurso que dificultou a defesa da vítima — com agravante pelo fato de a vítima ser idosa, além do crime de associação criminosa. Os dois estão presos.
Outros envolvidos
No âmbito da investigação do homicídio de Nery, também se tornarão réus os policiais militares da Rotam que teriam forjado um confronto para plantar com supostos criminosos a arma utilizada para matar o advogado.
Identificados como Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Jorge Rodrigo Martins, os PMs respondem por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.
Já Heron Vieira, acusado de ser articulador do crime, e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como autor dos disparos, respondem homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, paga ou promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Os PMs Jackson Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira respondem por homicídio triplamente qualificado por promessa de recompensa, emprego de meio que possa resultar perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa vítima.
O homicídio
Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.
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