Judiciario
Juiz bate boca com advogada em audiência do caso Zampieri

O delegado não vai ficar esperando a vida inteira para poder fazer o interrogatório até o advogado chegar
A advogada atua na defesa do coronel Etevaldo Caçadini de Vargas, um dos réus no crime, e tentou insistir na tese de que não foi dado a seu cliente o direito de permanecer em silêncio.
Na fase de inquérito Etevaldo foi ouvido pelo delegado Edison Pick, que assumiu o caso durante as férias do delegado Nilson Farias, titular da investigação.
Como argumento, ela tentou usar o exemplo dos réus Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Antônio Gomes, que foram ouvidos sem a presença de seus advogados.
“Algo que o STJ e o STF mais falam em relação ao acompanhamento de um patrono, sem estar especificado no papel, como Vossa Excelência vai perguntar daqui a pouco: ‘O senhor tem direito ao silêncio, o senhor quer falar?’. Isso não está, até então, nos autos. O senhor mesmo disse que não se recorda”, afirmou a advogada.
Durante seu depoimento, o delegado explicou que o réu Antônio Gomes não tinha advogado e, mesmo assim, quis falar.
“Ele disse que não tinha advogado, ele foi cientificado, mas não conferiu […]. Foi ele que pediu para falar, dra. Então, eu o deixei à vontade para falar”, afirmou o delegado.
Sobre o caso do réu Hedilerson, Edison Pick alegou ter esperado pelos advogados dele, que não compareceram à delegacia.
“Só fazer uma ressalva sobre o direito de Hedilerson estar acompanhado de um advogado, que eu acho que a senhora não tem conhecimento desse fato. Nós ficamos mais de uma hora e meia aguardando o contato com o advogado que ele indicou”, disse.
Segundo o delegado, o réu, à época, conseguiu falar até com familiares pelo telefone fixo da Delegacia de Homicídios de Belo Horizonte.
“Informamos que ele estava lá aguardando o advogado que não compareceu. Então, ele teve, sim, o direito de ser acompanhado por um advogado”, completou.
Arranca-rabo
Mesmo após as explicações do delegado, a advogada tentou insistir na tese. “Ele teve o direito, mas ninguém apareceu, correto?”, disse Sarah Quinetti.
Nesse momento, a advogada foi interrompida pelo juiz.
“O delegado não é obrigado, não adianta a senhora olhar para os outros advogados. Pelo amor de Deus! Se o advogado não está lá, se o advogado não apareceu, ele teve o direito de ligar. Agora, o delegado não vai ficar esperando a vida inteira para poder fazer o interrogatório até o advogado chegar”, disse o juiz.
A advogada, no entanto, seguiu na tentativa frustrada de provar o seu ponto. “A audiência é feita sem a presença de Vossa Excelência?”, disse ela.
“Isso aí está na lei, doutora. Isso aqui é uma audiência de instrução. Agora, a senhora me fale onde está na lei que é obrigado esperar o advogado chegar para ouvir o réu que está preso. Fale para mim, dra?” disparou o juiz.
Um colega interferiu e tentou amenizar a situação.
Negou tortura
O delegado foi acusado pela defesa dos réus de usar métodos de tortura durante o interrogatório.
Durante seu depoimento, Edison Pick negou as acusações. “Não, em nenhum momento”, disse.
O caso
Roberto Zampieri foi assassinado no dia 5 de dezembro do ano passado, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ele havia acabado de entrar em seu carro, um Fiat Toro branco, quando o assassino se aproximou e atirou dez vezes contra ele.
Em fevereiro deste ano, o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, acolheu o pedido do Ministério Público Estadual e tornou Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas réus pelo crime. Além disso, o magistrado converteu a prisão temporária do trio em preventiva.
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