Judiciario
Juiz cita gravidade de crime e mantém prisão de policial militar
A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva do policial militar Raylton Duarte Mourão, preso desde 21 de setembro de 2025 acusado do homicídio da personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, em Várzea Grande.

A prisão preventiva se trata de medida necessária para assegurar a ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos
A decisão é do juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, e foi publicada nesta terça-feira (13).
No despacho, o magistrado ressaltou que ainda permanecem os motivos que fundamentaram a prisão do PM, diante da “gravidade concreta” do crime.
“Da mesma forma, permanece a conclusão de que a prisão preventiva se trata de medida necessária para assegurar a ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos imputados na inicial, revelada, especialmente, pelo modus operandi, em princípio, empregado para a prática dos delitos”, escreveu.
Dessa forma, o juiz entendeu que não há possibilidade de substituir a prisão por medidas cautelares diversas, por serem inadequadas e insuficientes.
“Diante do exposto, por permanecerem os fundamentos ensejadores da custódia cautelar, matenho a prisão preventiva do acusado Raylton Duarte Mourão”, decidiu.
O crime
Rozeli foi assassinada a tiros dentro do próprio carro no dia 11 de setembro do ano passado, assim que saiu de casa, no bairro Cohab Canelas, em Várzea Grande. Câmeras de segurança registraram dois homens em uma motocicleta atirando contra a vítima.
Investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indicaram Raylton como suspeito após imagens mostrarem o soldado saindo de casa com a motocicleta e retornando horas depois a pé.
A Polícia Civil realizou busca e apreensão na residência do PM e da esposa em 13 de setembro, ocasião em que ambos não foram localizados, passando a ser considerados foragidos.
No dia 21 de setembro, Raylton se entregou no plantão da Delegacia da Mulher, onde teve o mandado de prisão temporária cumprido. Em 23 de setembro, a esposa do PM também se apresentou na DHPP e teve a prisão cumprida, mas foi solta após custódia por não ter envolvimento com o crime.
Em 30 de setembro, a DHPP prendeu Vitor Hugo Oliveira da Silva, apontado como o condutor da moto no homicídio. Ele continua detido preventivamente.
Segundo a investigação, o crime teria relação com uma ação judicial movida por Rozeli contra o casal, cobrando R$ 24,6 mil por danos morais e materiais decorrentes de um acidente de trânsito.
O caso remonta a março, quando um caminhão-pipa da empresa Reizinho Água Potável, de propriedade do casal, danificou o carro da vítima. Conforme consta nos autos, Rozeli tentou resolver a situação amigavelmente, mas não obteve resposta.
Ela entrou com processo de indenização pedindo ressarcimento de cerca de R$ 9,6 mil pelo conserto do veículo, além de R$ 15 mil por danos morais. A vítima, porém, foi assassinada antes que a ação fosse analisada pela Justiça.
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