Judiciario
Juiz manda soltar irmão e sogra de “tesoureiro geral” de facção
O juiz João Filho de Almeida Portela, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a soltura de sete pessoas que foram alvos da Operação Apito Final, que apura um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas fomentado, especialmente, na região do Jardim Florianópolis, em Cuiabá, e orquestrado por Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT. A decisão é dessa quarta-feira (07).

Verifica-se que os acusados são primários, não possuindo qualquer condenação criminal
Entre os soltos estão o irmão e a sogra de WT, Fagner Farias Paelo e Maria Aparecida Coluna Almeida, respectivamente.
Também ganharam liberdade Alex Junior Santos Alencar, conhecido como “Soldado”, Jeferson da Silva Sancoviche, Jean Marcel Neves Conrado, Emanuele Antônia da Silva e Andrew Nickolas Marques dos Santos.
O juiz entendeu que os investigados são réus primários e não possuem condenação criminal.
“Em consultas aos sistemas SEC/TJMT, PJE/TJMT e SEEU/CNJ, verifica-se que os acusados são primários, não possuindo qualquer condenação criminal e, ainda, se encontram reclusos apenas pelo mandado de prisão oriundo da ação penal, objeto deste feito”, escreveu.
Os acusados deverão cumprir algumas medidas cautelares, entre elas comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades; proibição de manter contato e realizar transações bancárias com os demais acusados; e proibição de acesso ou frequência a bares, boates para evitar o risco de novas infrações.
Na mesma decisão, o juiz manteve a prisão de Paulo Witer e ainda de Mayara Bruno Soares Trombim, Luiz Fernando da Silva Oliveira, Cristiane Patrícia Rosa Prins e Cleyton César Ferreira de Arruda.
O juiz citou que WT “seria tesoureiro geral, sendo responsável pela contabilidade grupo e arrecadação de valores oriundos do tráfico de drogas na região da Morada da Serra”.
Já sobre Mayara Bruno, Luiz Fernando, Cristiane Patrícia e Cleyton César, o magistrado citou que eles são acusados de “supostamente ocultarem e dissimularem a natureza, origem, movimentação e propriedade de bens e valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal, para organização criminosa Comando Vermelho, assim como por, em tese, integrarem a respectiva facção”.
A operação
Deflagrada na dia 2 de abril, a Apito Final cumpriu 54 ordens judiciais que resultaram na prisão de 20 alvos.
A investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apurou, no período de dois anos, que a organização movimentou R$ 65 milhões em bens móveis e imóveis adquiridos para lavar o dinheiro da facção.
Além dos imóveis e veículos de luxo, as transações incluíram a criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo, estratégias utilizadas pelo grupo para a lavagem de capitais e dissimulação do capital ilícito.
Análises financeiras realizadas pela Polícia Civil apontaram que os investigados, mesmo sem comprovação de renda lícita, adquiriram veículos como BMW X5, Volvo CX 60, Toyota Hilux, Amarok, Jeep Commander, uma Mitsubishi Eclipse e uma Pajero, além de diversos modelos Toyota Corolla.
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