Judiciario
Juiz marca júri de caseiro que confessou ter matado advogado
O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, agendou para o dia 15 de julho de 2026, às 9h, o júri popular do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, réu confesso do assassinato do advogado Renato Gomes Nery.
O crime ocorreu no dia 5 de julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa, na Capital.

Dou como preparado o presente processo para que o pronunciado seja submetido a julgamento
Alex Queiroz confessou ter sido o autor dos disparos em depoimento na DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) e foi pronunciado em agosto de 2025 por homicídio qualificado, com agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa da vítima, idade avançada da vítima e participação em organização criminosa.
“Assim, defiro a oitiva das testemunhas arroladas pelas partes e, inexistindo diligências a serem realizadas e irregularidades a serem sanadas, dou como preparado o presente processo para que o pronunciado seja submetido a julgamento”, diz trecho da decisão.
No despacho, o magistrado deferiu a oitiva de cinco testemunhas que foram arroladas em comum acordo tanto pelo Ministério Público do Estado (MPE) quanto pela Defensoria Pública, que faz a defesa do réu.
Entre as deliberações para o dia do julgamento, Faleiros autorizou o uso de recursos audiovisuais do fórum para a reprodução de mídias e determinou que os objetos apreendidos e utilizados na prática do crime, com exceção de armas de fogo, fiquem expostos e à disposição das partes em plenário.
O juiz indeferiu o pedido formulado pela defesa de Alex para que o Poder Judiciário realizasse a gravação audiovisual integral dos debates orais entre acusação e defesa.
O magistrado justificou a decisão alegando que não há previsão na legislação processual penal que obrigue o juízo a registrar os debates, além de apontar a impossibilidade técnica de armazenamento de arquivos longos nos sistemas locais.
Contudo, Faleiros permitiu que os advogados façam o registro por meios próprios, desde que resguardado o sigilo dos jurados.
Entenda
Segundo a investigação da DHPP, Alex teria executado o crime a pedido do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como articulador da ação criminosa.
Heron teria sido contratado pelo casal de empresários Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi, que travavam uma batalha judicial por anos com o advogado Renato Nery. A promessa de pagamento aos executores, segundo as investigações, foi de R$ 200 mil. O casal está preso, assim como Heron.
Segundo revelado pela Polícia, o valor combinado pelo crime não foi pago, o que gerou desagrado entre os envolvidos e resultou na confissão de Heron em depoimento aos investigadores, dias antes da prisão dos supostos mandantes.
Além de Alex Silval, Julinere Bentos, César Sechi, Heron Vieria e Alex Silva, também respondem pelo homicídio os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Ferreira, que tambem estão presos.
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