Judiciario
Júri tem bate-boca, acusação de mentira e queixa de deboche
O primeiro dia do júri dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri foi marcado por bate-boca entre defesa e acusação, troca de acusações de mentira e reclamações sobre gritos e “deboche”.

Porque é só eu pegar neste microfone que vocês dois começam a gritar comigo. Parem.
O julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e do coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas começou nesta terça-feira (29), no Fórum de Cuiabá, e será retomado nesta quarta-feira (30) com o interrogatório dos réus.
Um dos momentos mais tensos ocorreu durante o depoimento do delegado da Polícia Civil Edison Ricardo Pick, sexta e última testemunha ouvida no primeiro dia de julgamento.
A advogada de Caçadini, Sara Quinetti, questionava o delegado sobre outro homem preso durante as investigações da morte de Zampieri. Pick explicou que o suspeito havia sido preso em flagrante por outra ocorrência, e não em cumprimento a um mandado relacionado ao assassinato.
Sara, no entanto, afirmou que o homem havia sido identificado inicialmente como possível executor do crime. Segundo ela, o ofício que o encaminhou para audiência de custódia apontava que ele possuía características físicas semelhantes às do atirador.
A discussão se intensificou quando integrantes do Ministério Público contestaram a versão apresentada pela defesa. Durante o embate, houve acusações de que a advogada estaria faltando com a verdade. Em outro momento, Sara também acusou um dos promotores de estar mentindo.
O promotor Vinícius Gahyva reforçou que a prisão do homem havia ocorrido em flagrante. A discussão aumentou e Sara reclamou dos gritos dos integrantes da acusação e afirmou que o promotor fazia “cara de deboche” enquanto ela formulava os questionamentos.
“Deixe-me falar uma coisa para o senhor, me respeite. Porque é só eu pegar neste microfone que vocês dois começam a gritar comigo. Parem. O senhor está achando que eu sou o quê? Toda hora que a gente vai provar para os jurados alguma coisa que é verdade, os promotores começam a gritar, excelência”, disparou.
Divulgação/TJ-MT

Os réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas
“A gente perde o raciocínio. Todo mundo olhando, é um insulto. Isso não é a nossa Justiça. E o senhor fica fazendo essa cara de deboche, doutor, o dia inteiro, para mim. Que problema é esse comigo? Que saco!”, declarou.
Diante do bate-boca, o juiz José Mauro Nagib Jorge interveio e advertiu defesa e acusação de que poderia suspender a sessão caso os ânimos continuassem exaltados.
Após a intervenção do magistrado, a oitiva foi retomada e Pick continuou a responder aos questionamentos sobre a prisão do homem e a investigação de uma eventual ligação dele com o assassinato.
Suposta tortura
Durante o depoimento, Sara também questionou Edison Pick sobre uma suposta tortura sofrida por Caçadini no momento em que foi preso.
O delegado, que participou da prisão do coronel em Belo Horizonte (MG), afirmou não ter conhecimento das alegações.
Segundo Pick, policiais estiveram na residência do réu e também na galeria onde ele mantinha um empreendimento comercial. Durante as buscas, conforme o delegado, não foram encontradas armas, equipamentos ou outros objetos relacionados ao crime.
O julgamento
Outras cinco testemunhas foram ouvidas no primeiro dia de julgamento: o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Nilson Farias; o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo; a administradora do hotel onde os suspeitos se hospedaram à época do crime, Lucilene Gonçalves da Silva; a secretária do escritório de Zampieri, Mariana Costa Pinto; e José Marcos Marini, amigo da vítima.
Montagem/MidiaNews

O advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em Cuiabá
Zampieri foi morto a tiros dentro de uma Fiat Toro, em frente ao seu escritório de advocacia, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, em 5 de dezembro de 2023.
Caçadini é apontado pelas investigações como o financiador do assassinato de Roberto Zampieri. Além dele, são julgados Antônio Gomes da Silva, apontado como executor, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar a contratação do assassino.
A investigação aponta que o crime teria ocorrido após um impasse envolvendo um cliente de Zampieri e o empresário Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, de Rondonópolis, apontados como mandantes do assassinato. Eles respondem a um processo separado.
A morte de Zampieri ainda desencadeou investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e integrantes de tribunais superiores.
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