Judiciario
MPE rebate ataques contra Zampieri e diz que vítima não é julgada
O promotor de Justiça Vinicius Gahyva rebateu, na manhã desta quinta-feira (1º), os ataques feitos pelas defesas dos réus acusados de matar o advogado Roberto Zampieri e afirmou que a conduta da vítima não é o objeto do julgamento de seu assassinato.
O julgamento começou na terça-feira (29) e entrou nesta quinta em seu terceiro dia, com os debates entre o Ministério Público Estadual (MPE) e defesa. A sessão é conduzida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, no Fórum de Cuiabá.
São julgados Antônio Gomes da Silva, réu confesso do assassinato; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário da execução; e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar o assassinato.
Na quarta-feira (30), advogados dos acusados fizeram duras críticas a Zampieri e citaram as investigações que apontaram seu suposto envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais. O advogado Jayme Carvalho Junior, que faz a defesa de Caçadini, afirmou que os jurados não estavam diante de uma vítima que seria apenas um “pai de família” e acusou Zampieri de ter corrompido e comprado decisões judiciais.
Segundo Gahyva, a estratégia tenta repercutir entre os sete jurados responsáveis pelo veredicto, mas não altera o fato de que o processo julga um homicídio triplamente qualificado.
Montagem/MidiaNews

Etevaldo Luiz Caçadini, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Antônio Gomes da Silva
“Sem descurar, evidentemente, da figura da vítima, que está sendo muito atacada, procurando repercutir na opinião do Conselho de Sentença e da sociedade em geral algo que efetivamente não se traduz como a matéria a ser levada à discussão de um crime de homicídio triplamente qualificado”, afirmou.
“A defesa faz o seu trabalho. Cada um assume as consequências, se possível, procedimentais diante da visão do Conselho de Sentença e da sociedade acerca da sua postura, e os jurados é que decidirão ao final do julgamento”, acrescentou.
MPE vê provas “contundentes”
Gahyva também afirmou que o Ministério Público considera “contundente” o conjunto de provas contra Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Caçadini.
Segundo o promotor, as provas produzidas inicialmente pela Polícia Civil de Mato Grosso também passaram pelo crivo da Polícia Federal quando a investigação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), diante da suspeita de possível envolvimento de pessoa com foro por prerrogativa de função.
“Foi levada à Polícia Judiciária Federal, que concatenou todos os dados e repercutiu uma conclusão exatamente idêntica em relação aos réus que estão sendo julgados à [conclusão da] Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso”, afirmou.
Questionado sobre a expectativa para o desfecho, o promotor disse que o Ministério Público defenderá a condenação dos três, mas ressaltou que a decisão caberá aos jurados.
“Eu quero que sim. Esse é o entendimento do Ministério Público. A decisão, evidentemente, é do Conselho de Sentença. […] O Ministério Público estará se dedicando da melhor forma possível, dentro do plano ético e processual, para poder conduzir a uma justa condenação de todos os réus”.
Versões dos réus
Os três acusados foram interrogados na quarta-feira. Antônio Gomes confessou ter matado Zampieri, mas negou ter recebido dinheiro ou ordens para executar o advogado. Ele afirmou ter agido sozinho e disse que o crime teria sido uma “missão” pessoal motivada por sua indignação com supostos casos de corrupção no Judiciário.
Hedilerson, por sua vez, alegou inocência e afirmou ter sido “traído” por Antônio. Segundo sua versão, o executor teria pegado sua arma sem autorização e cometido o assassinato sem que ele soubesse.
Já Caçadini negou ter financiado a execução, afirmou estar sendo “injustiçado” e “altamente lesado” pelo processo e insinuou que poderia ter sido colocado como uma espécie de “bode expiatório” no caso.
Sanidade mental
Reprodução

O advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em Cuiabá
Gahyva também criticou o pedido apresentado pela defesa de Antônio para realização de exame de sanidade mental no réu. Para o promotor, a questão deveria ter sido levantada em momento processual anterior.
Segundo ele, seria necessário demonstrar a existência de doença mental capaz de retirar do acusado a capacidade de compreender o caráter ilícito da conduta ou de se determinar de acordo com esse entendimento.
“Em momento algum foi alegada qualquer falta de sanidade mental do réu, de maneira que me parece uma medida que poderia conduzir a uma procrastinação, mas que foi bem rechaçada pelo Poder Judiciário”, disse.
O crime
Roberto Zampieri foi assassinado com dez tiros em 5 de dezembro de 2023, dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Além de Antônio, Hedilerson e Caçadini, o Ministério Público aponta Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo como mandantes do assassinato. Eles respondem ao processo separadamente.
Segundo as investigações, uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões, estaria entre as possíveis motivações do assassinato.
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