Judiciario
MPF: empresário sacou R$ 400 mil e distribuiu à cúpula da Unimed
O empresário Erikson Tesolini Viana, sócio-administrador da Arche Negócios Ltda., sacou R$ 400 mil em espécie “na boca do caixa” de uma agência do Itaú, na Capital, após receber R$ 700 mil da Unimed Cuiabá por um serviço de intermediação financeira que nunca teria sido realizado.

O esforço de afastar a operação de sua praça de domicílio para evitar o escrutínio atesta o cristalino dolo de ocultação
Em seguida, o valor foi distribuído à então cúpula da cooperativa, comandada pelo ex-presidente Rubens Carlos de Oliveira Júnior.
A acusação é do Ministério Público Federal (MPF), cuja denúncia foi aceita pela Justiça Federal e tornou o empresário, Rubens e as outras quatros pessoas réus pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Bilanz, que apura um suposto rombo de R$ 400 milhões na cooperativa entre 2020 e 2022.
“Erikson Tesolini Viana operou a ocultação e quebra de rastreabilidade bancária (iayering). Converteu valores ilícitos em espécie, fraudou declarações ao banco simulando compra de imóvel e promoveu a entrega física de R$ 400.000,00 em Cuiabá para distribuição a cúpula da Unimed”, consta na denúncia do MPF.
Além deles, também foram denunciados e viraram réus, a advogada Jaqueline Proença Larrea Mees, ex-assessora jurídica da cooperativa; o ex-consultor executivo Eroaldo de Oliveira; a ex-superintendente administrativa e financeira Ana Paula Parizotto; e a ex-diretora administrativa financeira e delatora premiada Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma.
Segundo a denúncia, o valor de R$ 700 mil foi pago pela Unimed à Arche sob a justificativa de comissão pela intermediação de um empréstimo de R$ 33 milhões junto ao Sicoob/Credicom.
No entanto, o MPF sustenta que a negociação foi realizada diretamente entre a cooperativa e a instituição financeira, sem a participação de terceiros.
De acordo com a denúncia, o dinheiro foi creditado na conta da empresa em 23 de dezembro de 2022 e, na sequência, transferido por Erikson para sua conta pessoal, em uma tentativa de ocultar a origem dos recursos. Dias depois, ele viajou para Cuiabá, onde desembarcou na noite de 27 de dezembro.
Conforme o MPF, no dia seguinte, 28 de dezembro, Erikson se encontrou com o então consultor da Unimed, Eroaldo de Oliveira, na área de café da manhã do Hotel Advanced, onde o ex-executivo mantinha escritório.
Ainda conforme a denúncia, na sequência, ele almoçaram na Peixaria Lélis e, pouco depois, entre 14h20 e 14h27, Erikson entrou em uma agência bancária localizada nas proximidades e realizou o saque de R$ 400 mil em espécie.
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Divulgação

A médica Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma, que fez delação premiada e também virou ré pela acusação do MPF
Já à noite, segundo o MPF, Erikson e Eroaldo voltaram a se encontrar, desta vez na residência do ex-consultor, onde jantaram.
No dia seguinte, 29 de dezembro, de acordo com a denúncia, Erikson realizou um novo saque, desta vez de R$ 130 mil, também em espécie.
A denúncia aponta ainda que, para viabilizar o saque elevado, o empresário declarou falsamente ao banco que o dinheiro seria utilizado para a compra de um imóvel.
Posteriormente, em interrogatório no MPF, ele admitiu que não realizou qualquer aquisição e afirmou que optou por sacar os valores em Cuiabá para evitar chamar atenção em sua cidade de origem.
“O deliberado esforço de afastar a operação de sua praça de domicílio para evitar o escrutínio atesta o cristalino dolo de ocultação. Ademais, quando indagado ao final especificamente se havia deixado Cuiabá com o montante em espécie, esquivou-se sob o paradeiro do dinheiro sacado, alegando tratar-se de assunto particular: ‘Como eu disse (…), foi um saque particular ligado a questões pessoais’”, consta na denúncia.
“Em crimes do colarinho branco, a absoluta incapacidade de explicar o manuseio de quase meio milhão de reais em espécie no dia e local de um encontro furtivo é a prova consumada de que o numerário se destinava a integração clandestina na economiaformal”, afirmou o MPF.
Pulverização do dinheiro
Após a retirada do montante, segundo o MPF, teve início a pulverização do dinheiro, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento.
Do total sacado, cerca de R$ 130 mil teriam permanecido com Eroaldo, enquanto R$ 70 mil foram destinados à ex-superintendente Ana Paula Parizotto. O restante, aproximadamente R$ 200 mil, teria sido encaminhado a Rubens, conforme a denúncia.
De acordo com o MPF, movimentações apontam que Eroaldo teria reinserido parte dos valores no sistema bancário por meio de depósitos fracionados, realizados em contas próprias e também em nome de sua esposa, em operações feitas entre o fim de dezembro de 2022 e o início de janeiro de 2023.
Já em relação a Ana Paula, a denúncia descreve que no dia 29 de dezembro, ou seja, um dia após o saque de R$ 400 mil, a conta dela recebeu um depósito em espécie, não identificado, de R$ 70 mil.
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Por fim, segundo o MPF, cerca de R$ 200 mil da quantia sacada teriam retornado, em sua maior parte, ao núcleo comandado por Rubens Carlos de Oliveira Júnior.
A denúncia aponta que o ex-presidente adotava uma “dupla estratégia de evasão”, com uso recorrente de dinheiro em espécie e fracionamento de valores para dificultar a identificação por órgãos de controle.
Ainda conforme a acusação, parte dos recursos teria sido enviada ao exterior. Mensagens interceptadas indicam menção a valores mantidos em paraísos fiscais e remessas periódicas em moeda estrangeira.
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