Judiciario
Pistoleiro que matou advogado aponta falhas e pede nova investigação sobre empresária
Conteúdo/ODOC – A defesa de Antônio Gomes da Silva, que confessou ter assassinado o advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023, apresentou à Justiça um pedido para que novas frentes de investigação sejam consideradas no caso, alegando omissão de provas relevantes e falhas na condução do inquérito policial.
A petição foi protocolada no dia 25 de março de 2025 e agora aguarda manifestação do Ministério Público de Mato Grosso.
Assinada pelo advogado Felipe André Laranjo, a solicitação levanta questionamentos sobre a retirada precoce da empresária Maria Angélica Caixeta Gontijo do rol de investigados, mesmo com indícios que, segundo a defesa, a ligariam diretamente ao crime.
Angélica chegou a ser presa no início das investigações sob suspeita de ser a mandante do homicídio, mas teve a prisão revogada por falta de provas no início de 2024. Em fevereiro, o juiz Wladimir Perri anulou as medidas cautelares contra ela, encerrando formalmente sua participação no processo.
A nova petição, no entanto, afirma que há ao menos três linhas investigativas ignoradas pelas autoridades e sustenta que parte da munição usada na execução do crime teria origem diferente da arma utilizada – e poderia ter ligação com Angélica. Segundo a defesa, a análise das balísticas revela que a munição foi adquirida em outro estado e despachada por meio de aeroporto para uso em competições oficiais.
Ainda de acordo com o advogado, dados extraídos do celular da própria Maria Angélica teriam sido subutilizados pela polícia. As mensagens e registros de localização, segundo ele, indicariam que ela esteve presente em locais e datas cruciais para o planejamento do homicídio. A defesa também denuncia suposta proteção política à ex-investigada e afirma que ela teria evitado uma reunião com o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, alegando estar “preocupada com a situação do caso”. A relação com o governador teria sido mencionada por ela mesma em depoimento judicial.
A motivação do crime estaria ligada a disputas fundiárias milionárias. Zampieri, que atuava como advogado e mediador em diversos contratos de cessão de direitos sobre terras, teria envolvimento com práticas de extorsão e ocultação patrimonial, conforme aponta a petição. A defesa sugere que ele e Angélica atuavam juntos para forçar acordos vantajosos sobre posseiros e compradores de imóveis rurais.
Para fundamentar a necessidade de aprofundar as investigações, o defensor recorre ao chamado “Heptâmetro de Quintiliano”, uma técnica clássica da retórica jurídica que avalia a completude de uma narrativa criminal. Segundo ele, mesmo com a confissão de Antônio, há indícios de coautoria ainda não apurados.
Além da reabertura da investigação sobre Maria Angélica, o pedido também solicita esclarecimentos do Ministério Público sobre sua eventual condição de investigada, além da apuração da conduta do delegado que presidiu o inquérito. A defesa afirma que depoimentos e documentos relevantes prestados por Angélica não teriam sido inseridos nos autos, o que, segundo o advogado, compromete a integridade do processo.
Atualmente, o caso tramita sob sigilo. A partir da extração de dados do celular da vítima — apelidado de “iPhone Bomba” —, foram descobertas ligações de Zampieri com esquemas de lobby no Judiciário. As revelações resultaram no afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes, acusados de vender decisões judiciais em troca de propina.
Além de Antônio Gomes da Silva, também estão presos o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como financiador do crime, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar a contratação do executor. Todos aguardam julgamento pelo Tribunal do Júri.
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