Judiciario
Preso há oito dias, Sérgio Ricardo apela ao STF para ser solto
O presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, preso desde 29 de outubro, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar deixar a prisão. O ministro Dias Toffoli, relator do habeas corpus, determinou o envio do pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.
Sérgio Ricardo foi alvo da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de desvios de recursos públicos, pagamentos irregulares e movimentações financeiras milionárias na Corte de Contas. Ele está preso em uma sala de Estado-Maior no Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Cuiabá.
Segundo relatório da Polícia Federal, Sérgio Ricardo teria realizado 150 operações de saque entre janeiro e outubro de 2025, que somaram R$ 15,6 milhões.
Desse montante, aproximadamente R$ 15,4 milhões teriam sido retirados em 64 operações diretamente nos caixas de uma agência do Sicoob instalada dentro do TCE-MT. Outros R$ 171 mil foram movimentados em 86 saques realizados em caixas eletrônicos.
A investigação também identificou imagens de câmeras de segurança que mostram Sérgio Ricardo acompanhando uma retirada de R$ 500 mil em espécie, realizada em setembro de 2025, na cooperativa financeira.
Luiz Silveira/STF

O ministro Dias Toffoli, que é relator do habeas corpus
Nas imagens, segundo a PF, o conselheiro aparece ao lado da então chefe de gabinete da Presidência, Roseli Loss, e do servidor Adriangelo Barros Antunes, que teria auxiliado no transporte do dinheiro em uma mala.
Assim como o presidente afastado, Roseli e Andriangelo também apresentaram habeas corpus ao Supremo. Os pedidos também estão sob relatoria de Dias Toffoli, que solicitou manifestação da PGR antes de tomar as decisões.
A PGR já se manifestou contra o pedido de soltura do ex-consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, que também apresentou habeas corpus ao STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli
Operação Tomada de Contas
A Operação Tomada de Contas, deflagrada na última quinta-feira de outubro (29), cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, por determinação do STJ.
Entre os presos estão o presidente afastado da Corte, Sérgio Ricardo; Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a então chefe de gabinete da Presidência, Roseli Loss; o assessor jurídico Felipe José Glinke; e o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva.
Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por determinação do STJ.
A investigação apura suspeitas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os fatos investigados estão o possível uso da suspensão de contratos para pressionar fornecedores, favorecimentos na liberação de pagamentos e saques recorrentes em dinheiro vivo.
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