Judiciario
TJ cita filha de 4 anos e concede domiciliar a vendedora acusada de liderar esquema de R$ 50 mi
Conteúdo/ODOC – O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), concedeu prisão domiciliar à vendedora de veículos Vitória Sara Bezerra Lupatini, alvo da Operação Pátio Paralelo, em Sorriso. Ela é investigada como suposta líder de um esquema envolvendo veículos na cidade, que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano.
A decisão foi publicada nesta segunda-feira (31). Vitória estava presa desde quinta-feira (27), quando se apresentou à Polícia Civil após ser alvo da operação.
Na decisão, Perri considerou que a investigada é mãe de uma menina de 4 anos e que os crimes atribuídos a ela não foram praticados com violência ou grave ameaça contra a filha ou outro dependente.
O desembargador também destacou que Vitória se apresentou espontaneamente à Polícia Civil um dia após a deflagração da operação. Para o magistrado, a conduta afasta, neste momento, o risco de fuga.
Com a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, a vendedora deverá manter endereço e telefone atualizados junto à Justiça. Ela também está proibida de manter qualquer tipo de contato com as vítimas identificadas no inquérito.
O descumprimento das medidas poderá resultar na revogação do benefício e na decretação de uma nova prisão preventiva.
O esquema
Conforme a Polícia Civil, o grupo investigado se aproveitava da credibilidade de uma concessionária para atrair clientes interessados na compra de veículos novos. As vítimas eram convencidas a entregar automóveis usados como parte do pagamento.
Os valores correspondentes aos veículos entregues eram descontados nas negociações realizadas na empresa, mas, segundo a investigação, os automóveis acabavam encaminhados para garagens ligadas aos investigados.
Vitória é apontada como responsável por captar clientes e conduzir negociações. Conforme a apuração, ela recebia os veículos, orientava pagamentos e também teria participado da movimentação dos recursos relacionados ao suposto esquema.
A Operação Pátio Paralelo foi deflagrada com mais de 20 ordens judiciais. Entre as medidas estavam um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, nove determinações de quebra de sigilo bancário e cinco ordens de bloqueio de ativos financeiros, além de outras cautelares patrimoniais.
A Justiça também autorizou a apreensão de celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros e veículos relacionados aos fatos investigados.
Também foram autorizadas quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Com as medidas, a Polícia Civil busca reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar a origem e o destino dos recursos e analisar comunicações e dispositivos utilizados pelos alvos.
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