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Vou vender o DAE e repartir o dinheiro, teria dito Wanderley

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O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), alvo da Operação Cathedra Venalis, é acusado de oferecer R$ 500 mil a cada vereador em troca de apoio à sua reeleição. O suposto esquema também envolveria o pagamento mensal de R$ 10 mil aos parlamentares, conhecido como “mensalinho”.

 

Eu vou exonerar a prefeita, vender o DAE e nós vamos repartir o dinheiro

As informações foram divulgadas pelo site Olhar Direto, com base no inquérito do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que resultou na deflagração da operação nesta terça-feira (20). 

 

A ação apura suspeitas de corrupção, extorsão e outros crimes relacionados à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Além de Wanderley, outros 12 vereadores da cidade e dois de Cuiabá foram alvos da operação. 

 

Segundo o documento, a promessa de R$ 500 mil a cada vereador estaria ligada a um suposto plano de Wanderley para articular a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL), assumir o comando do Município e, posteriormente, viabilizar a concessão ou privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG).

 

“Eu vou exonerar a prefeita, vender o DAE e nós vamos repartir o dinheiro”, teria afirmado Wanderley, segundo depoimento de um vereador que não está entre os alvos da Operação Cathedra Venalis. 

 

O vereador ouvido pelos investigadores relatou ainda que o ex-prefeito Tião da Zaeli teria solicitado apoio à reeleição de Wanderley e mencionado a possibilidade de cassação de Flávia Moretti.

 

Com a eventual saída da prefeita, Wanderley poderia assumir posteriormente a chefia do Executivo municipal, segundo a articulação descrita pela testemunha.

 

O depoente entregou aos investigadores um pen-drive contendo notas fiscais, vídeos e registros bancários que, segundo ele, sustentariam as denúncias.

 

O inquérito ainda cita um vídeo em que o então diretor-presidente do DAE, Rogério França Martins, conhecido como Rogerinho da Dakar (PSDB), aparece recebendo maços de dinheiro em um escritório.

 

O episódio levou à exoneração de Rogerinho pela prefeita Flávia Moretti. Após deixar a autarquia, ele retornou à Câmara Municipal, onde passou a exercer a função de líder do governo.

 

Mensalinho de R$ 10 mil

 

Além da suposta oferta de R$ 500 mil, a investigação aponta um esquema de pagamento mensal de R$ 10 mil a vereadores para assegurar apoio político ao grupo de Wanderley.

 

Segundo o relato, o esquema também envolveria a distribuição de cargos comissionados vinculados à Mesa Diretora, além da retenção de cartas de renúncia assinadas em branco.

 

Outro ponto da investigação envolve a empresa União Transportes e Turismo Ltda., responsável pelo transporte coletivo de Várzea Grande.

 

De acordo com a investigação, Wanderley teria mantido um acordo com Rômulo Botelho, sócio da empresa, para garantir a continuidade do contrato de prestação de serviços e impedir o avanço de medidas de fiscalização na Câmara.

 

Um dos episódios citados é a tentativa de impedir a instalação e o andamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o transporte coletivo e os serviços prestados pela concessionária.

 

Em agosto, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) acolheu um pedido de Wanderley e suspendeu a tramitação da comissão.

 

Para os investigadores, os relatos e diálogos levantam suspeitas de que o grupo buscava manter influência tanto sobre a administração do DAE quanto sobre decisões legislativas relacionadas ao transporte público.

 

A operação 

 

Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

 

Entre os alvos estão o próprio Wanderley Cerqueira e os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

 

Também foram alvos a diretora financeira da Casa, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

 

Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também estão entre os investigados. 

 

As investigações buscam esclarecer se houve negociação de votos e oferecimento de vantagens indevidas para influenciar o resultado da eleição.





Fonte: Mídianews

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