Judiciario
Justiça solta influencer, mas impõe tornozeleira e proíbe redes
O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE) determinou a soltura da influenciadora digital Emilly Souza, moradora de Cuiabá, acusada de envolvimento em esquema de divulgação de jogos online de apostas, como o “Jogo do Tigrinho”.
A decisão foi tomada pela 2ª Câmara Criminal do TJ-CE nesta quarta-feira (14).
Ela terá que cumprir algumas medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de usar as redes sociais e de exercício de qualquer atividade econômica relacionada a apostas ou sorteios.
Os desembargadores seguiram por unanimidade o voto do relator, Sérgio Luiz Arruda Parente, que acolheu parcialmente um habeas corpus impetrado pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda.
Emilly foi alvo da Operação Quéfren, deflagrada no dia 3 de abril deste ano pela Polícia Civil do Ceará.
Ela, porém, só foi encontrada e presa no dia 4 de junho, na residência da mãe, no bairro Santa Terezinha, em Cuiabá.
Reprodução

O advogado Rodrigo Pouso Miranda, que faz a defesa da influenciadora
Além dela, a operação também prendeu em Mato Grosso a estudante de odontologia Mariany Nayara Silva Dias, moradora de Várzea Grande. Ela foi solta no dia 30 de maio.
A Operação
A Quéfren foi deflagrada simultaneamente nos estados de Mato Grosso, Ceará, São Paulo e Pará. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão, 17 de busca e apreensão, 23 de busca veicular, 15 de bloqueio de bens e valores, além de outras medidas cautelares.
A investigação da Polícia Civil do Ceará teve início em abril de 2024, para apurar a existência de uma organização criminosa articulada de caráter transnacional que movimentou R$ 300 milhões em um período de dois anos.
Com milhares de seguidores, os influenciadores gravavam vídeos e imagens com ganhos fictícios em plataformas de cassino online e postavam em suas redes sociais para captar maior número de apostadores.
Os investigados também utilizavam conta “demo/teste”, que permite testar a experiência de uma plataforma de negociação sem arriscar dinheiro real, para iludir os seguidores.
Segundo a Polícia, o grupo integra uma rede que negociava e indicava outros influenciadores, diretamente com chefes das plataformas, que têm como proprietários pessoas que residem no exterior, em sua maioria na China.
Os influenciadores digitais eram remunerados de diversas maneiras, desde o pagamento pela simples colaboração com divulgação da plataforma, pela quantidade de novos usuários cadastrados, ou receberiam comissão pelos valores depositados pelas vítimas nas plataformas.
Além do pagamento de valores, os chefes das plataformas também pagavam viagens para o exterior para os agentes e influenciadores cujas viagens eram ostentadas em suas redes sociais como sinônimo de prosperidade com o jogo.
Já os agentes de plataformas eram os responsáveis pela contratação dos influenciadores, além de realizarem festas de lançamento de plataformas.
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