Judiciario
Ex-secretário condenado cobra R$ 10 milhões de dois empresários
Ex-chefe da Casa Civil e condenado por crimes contra o Estado, Pedro Nadaf, enviou duas notificações extrajudiciais cobrando R$ 9,9 milhões dos empresários Alan Ayoub Malouf, do Buffet Leila Malouf, e Erivelto da Silva Gasques, da antiga City Lar, em valores atualizados de “débitos” dos anos de 2014 e 2015.

Em 2016, Malouf foi denunciado na Operação Sodoma, acusado de lavar parte do dinheiro desviado dos cofres públicos em desapropriação fraudulenta
Nadaf foi condenado pelos crimes de organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro por diversos esquemas na gestão de Silval Barbosa. Posteriormente, firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) em que se comprometeu a devolver R$ 17,5 milhões aos cofres públicos.
A notificação a Alan Malouf foi enviada no dia 29 de janeiro de 2026. No documento, Nadaf afirma que o débito original era de R$ 1,65 milhão. Segundo o ex-secretário de Estado, o valor teria sido emprestado em 1º de setembro de 2015.
O valor atualizado por meio da taxa Selic, segundo Nadaf, é de R$ 4.210.010,12 milhões.
Lavagem
Em 2016, Alan Malouf foi denunciado na 4ª fase da Operação Sodoma, acusado de lavar parte do dinheiro desviado dos cofres públicos na desapropriação fraudulenta de uma área, em Cuiabá, em 2014.
Reprodução

Os empresário Alan Malouf e Erivelto Gasques
Na denúncia, o Ministério Público Estadual (MPE) relatou que coube ao empresário lavar um total de R$ 2,1 milhões, fato que foi corroborado na delação de Nadaf.
Segundo a denúncia, dos R$ 2,1 milhões supostamente lavados, R$ 1,5 milhão seriam atribuídos a Nadaf, e o restante ao ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves.
Na época, Nadaf afirmou ainda que os R$ 1,5 milhão continuariam sob poder e guarda de Malouf — exatamente o montante que agora é cobrado.
Malouf também fez acordo de delação, pagou R$ 5,5 milhões aos cofres públicos, e se livrou dos processos.
Cobrança de R$ 5,7 milhões
Já a notificação enviada a Erivelto Gasques, é datada de 9 de fevereiro de 2026, na qual Nadaf afirma que, em 1 de junho de 2014, emprestou por meio de cheques R$ 1.285.286,08. O valor atualizado, conforme o ex-secretário, atinge o montante de R$ 5.750.073,76.
“Foram entregues pelo notificante ao notificado em meados do ano de 2014, e regularmente compensados por intermédio da empresa Pelmex M/S, da qual Vossa Senhoria é sócio, fato este expressamente reconhecido pelo próprio notificado […]”, consta no documento.
O ex-secretário anexou na notificação o depoimento prestado por Erivelto à Polícia Civil, em 8 de março de 2017.
Na época, o relato foi colhido no âmbito de uma das fases da Operação Sodoma, que investigou crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, por meio de um esquema de concessão ilegal de incentivos fiscais na gestão do ex-governador Silval Barbosa.
A investigação mirou suposto esquema no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), que era a principal política pública do Estado na concessão de incentivos fiscais.
No depoimento, Erivelto relatou que, em meados de 2014, Nadaf o procurou “dizendo que havia recebido um valor” e que estava querendo quitar uma suposta dívida de R$ 400 mil que tinha com ele, em razão da compra de uma rádio comunitária, um veículo e itens adquiridos na City Lar.
Veja fac-símile:

Conforme o depoimento, o valor devido seria quitado e o restante seria cobrado 1% de juros. Assim, ele recebeu cheques totalizando R$ 2.494.035,41 milhões e compensou R$ 1.285.286,08.
Ainda conforme o empresário, foram pagos R$ 331,2 mil e devolvidos, dos cheques, R$ 877,5 mil. De acordo com Gasques, a dívida de Nadaf com ele não tinha relação com o recebimento de benefícios do Prodeic.
Entretanto, o empresário admitiu que os cheques tinham origem ilícita, mas afirmou que inicialmente desconhecia essa condição.
Segundo ele, no “afã” de receber os valores devidos e diante da crise que a Pelmex passava, usou o dinheiro para aplicar como capital na referida empresa.
No depoimento, Gasques relatou que, posteriormente, teria procurado o MPE para tentar acordo e devolver todo o valor.

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