Judiciario
Sargento é absolvido após ser preso e acusado de tentar esconder celular de lobista
Conteúdo/ODOC – A 2ª Vara Criminal de Primavera do Leste (a 239 km de Cuiabá) absolveu o sargento aposentado da Polícia Militar de Mato Grosso Dejair Silvestre dos Santos, que havia sido acusado de interferir em investigações ligadas à Operação Sisamnes, deflagrada em outubro de 2025.
Dejair foi preso em flagrante durante a operação após ser flagrado tentando ocultar um aparelho celular pertencente ao lobista Andreson Gonçalves de Oliveira, apontado como um dos investigados no suposto esquema de venda de decisões judiciais no estado e também em Brasília.
Na sentença, a Justiça considerou improcedente a acusação de embaraço à investigação de organização criminosa. A decisão levou em conta a ausência de provas suficientes para comprovar a intenção do acusado em dificultar o andamento das apurações.
A defesa, representada pelo advogado Lucas André Curvo de Carvalho Teles Figueiredo, sustentou desde o início do processo que não havia elementos que demonstrassem o dolo específico exigido para a configuração do crime. Após a fase de instrução, o próprio Judiciário reconheceu a fragilidade do conjunto probatório.
Segundo o defensor, a absolvição teve como base o princípio do in dubio pro reo, previsto no Código de Processo Penal, que determina que, na dúvida, a decisão deve favorecer o réu. Ele destacou ainda a importância do respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
O advogado também chamou atenção para o período em que o sargento permaneceu preso, cerca de 167 dias, o equivalente a pouco mais de cinco meses, e afirmou que a defesa aguarda agora a efetiva liberação do militar aposentado.
Operação investiga venda de sentenças
Conduzida pela Polícia Federal, a Operação Sisamnes apura a existência de um esquema de comercialização de decisões judiciais em tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça, além de cortes estaduais, incluindo Mato Grosso. O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal e tem como relator o ministro Cristiano Zanin.
As investigações avançaram após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em Cuiabá, em dezembro de 2023. Informações extraídas do celular da vítima teriam revelado indícios de negociações ilegais e acesso a dados sigilosos do Judiciário.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado seria formado por advogados, empresários, servidores públicos e lobistas que atuavam como intermediários na negociação de decisões judiciais e no vazamento de informações confidenciais. Andreson Gonçalves de Oliveira é apontado como um dos principais articuladores do esquema.
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