Judiciario
TJ manda afastar PMs após indícios de grupo de extermínio no caso Renato Nery
Conteúdo/ODOC – Quatro policiais militares investigados por participação em um suposto esquema para encobrir o assassinato do advogado Renato Nery voltaram a ser afastados das atividades operacionais da Rotam por determinação da Justiça de Mato Grosso. A decisão atende a uma ordem do Tribunal de Justiça (TJMT), que considerou incompatível a permanência dos agentes em funções ostensivas diante da gravidade das acusações.
São alvos da medida Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. O grupo havia sido autorizado a retornar ao serviço ativo em dezembro do ano passado, mas a decisão foi revertida após novo entendimento da Corte estadual.
Ao cumprir a determinação, o juiz José Mauro Nagib Jorge estabeleceu que os militares deverão usar tornozeleira eletrônica e ficar restritos exclusivamente a atividades administrativas. Eles também estão proibidos de portar armas de fogo e de participar de ações de patrulhamento.
Na decisão que restabeleceu as medidas cautelares, a desembargadora Juanita Cruz Clait Duarte apontou que o retorno dos investigados às ruas poderia representar risco à instrução processual e à ordem pública. O acórdão destaca que a simples proibição de contato com testemunhas não seria suficiente para impedir eventuais interferências no andamento das investigações.
Os policiais são acusados pelo Ministério Público de forjar um confronto armado que terminou com a morte de uma pessoa e tentativa de homicídio contra outras duas. Segundo a investigação, a ação teria sido utilizada para ocultar a origem da arma empregada na execução do advogado Renato Nery, assassinado em julho de 2024.
As suspeitas ganharam força após a extração de dados de aparelhos celulares apreendidos durante a investigação. Relatório pericial identificou mensagens, pesquisas e áudios que, conforme o Ministério Público, indicariam a participação dos agentes em um grupo denominado “Gol Branco”, apontado como uma organização voltada à prática de execuções.
Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão conversas nas quais os policiais comentam confrontos armados e ferimentos causados a vítimas. O conteúdo foi utilizado pelo promotor Henrique Pugliesi para fundamentar a denúncia oferecida à Justiça.
A investigação também encontrou, em um dos celulares analisados, uma fotografia de Renato Nery salva um dia após o homicídio, além de buscas posteriores relacionadas ao caso. Para o Ministério Público, os registros reforçam a hipótese de ligação dos acusados com os fatos apurados.
Os quatro militares respondem por uma série de crimes, entre eles homicídio consumado, tentativa de homicídio, organização criminosa, obstrução da Justiça, abuso de autoridade, falsidade ideológica e porte ilegal de arma de fogo.
As investigações sobre a morte de Renato Nery apontam que o advogado teria sido executado por encomenda. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o crime envolveu mandantes, intermediários e executores, incluindo integrantes da própria Polícia Militar.
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