Polícia
Foragido após ameaçar delegado de MT é denunciado por empresária de GO por extorsão
O empresário Maike Koseki de Capua, de 41 anos, foragido da Justiça de Mato Grosso, após ser alvo da Operação Autoritas, deflagrada pela Polícia Civil, na última terça-feira (14), foi denunciado pela empresaria C.D.C.M., de Goiânia por ameça e extorsão, em razão de uma suposta divida de seu ex-marido Phillip Wook Han.
Após a decretação da prisão de Maike Capua, a empresária encaminhou uma carta à desembargadora Juanita Clait Duarte, relatora do habeas corpus impetrado pela defesa de Maike no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), alertando para a periculosidade do investigado e pedindo que o benefício não seja concedido.
Conforme o boletim de ocorrência, a empresária, divorciada desde 2024, relata que no dia 14 de julho, Maike e outros três homens abordaram seu pai idoso, que havia ido buscar sua filha de 9 anos em uma academia de artes marciais, em Goiânia. Segundo ela, os homens afirmaram ser policiais e estar em uma operação para localizar a empresária.
“Meu pai e minha filha foram impedidos de sair livremente da academia e conduzidos até o prédio onde resido”, narrou.
Ainda de acordo com a vítima, ela recebeu uma ligação informando que o pai e a filha estavam “sob custódia” do grupo e que somente seriam liberados após uma conversa com ela. Temendo pela integridade física dos familiares, desceu até a entrada do condomínio, onde afirma ter encontrado pelo menos sete homens.
“Os indivíduos exigiam que eu assumisse uma dívida que não é minha, mencionavam constantemente minha filha como forma de intimidação e afirmavam que eu resolveria aquela situação ‘de qualquer jeito'”, diz trecho do boletim.
Segundo o relato, o grupo, liderado por Maike, exigia que ela assinasse um contrato de transferência de bens. Temendo sofrer violência, a empresária disse que atenderia à exigência após consultar uma assessoria jurídica, mas que sua intenção era apenas “ganhar tempo”.
Ela também afirmou que foi ameaçada de morte e que um dos integrantes do grupo dizia ser membro da facção criminosa Comando Vermelho. “Naquela mesma noite fui obrigada a deixar minha residência juntamente com minha filha e meus pais, ambos idosos, buscando abrigo em local seguro”, relatou.
A empresária afirma ainda que ela e sua família foram expostas diante de outros moradores do condomínio. “Fomos expostos perante diversas pessoas como se fôssemos criminosos, causando enorme constrangimento, humilhação e danos à nossa honra e reputação.”
Segundo ela, parte da ação foi registrada por seu celular e também pode ter sido gravada pelas câmeras de segurança da academia e da área comum do condomínio.
Ao consultar posteriormente o nome de Maike, a empresária descobriu que ele havia sido alvo, no dia seguinte aos fatos, de uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso por ameaçar um delegado e a esposa do policial.
Na carta encaminhada à desembargadora Juanita Cleit Duarte, a empresária relata ainda que, mesmo após Maike passar à condição de foragido, integrantes do grupo retornaram ao condomínio sem ele.
Segundo ela, a suspeita é de que tentavam obter dinheiro para possibilitar uma eventual fuga do empresário para fora do país. A vítima afirma que decidiu levar os fatos diretamente ao conhecimento da magistrada porque o mérito do habeas corpus de Maike ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça.
“Peço por socorro e torno público os fatos acima descritos para que qualquer mal injusto que eventualmente venha a ocorrer comigo ou qualquer pessoa da minha família possa ser investigado com maior precisão, especialmente em relação àquele que tem, de forma reiterada, ameaçado lhe causar mal injusto caso a mesma não pague por dívida que afirma pertencer ao seu ex-cônjuge”, escreveu.
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