Judiciario
Justiça manda soltar empresária cuiabana alvo de operação da PF
A Justiça Federal do Tocantins determinou a soltura da advogada e empresária cuiabana Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa na última terça-feira (25) durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal.

Não teve nenhuma fiança. O juiz reconheceu que a prisão realmente era desnecessária
A informação foi confirmada na noite desta quinta-feira (27) pelo advogado Fernando Faria, responsável pela defesa de Thatiana. O caso tramita sob segredo de Justiça.
A operação investiga um grupo suspeito de organizar voos, utilizar aeronaves e pistas clandestinas e prestar suporte logístico para o transporte de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil.
“Não teve nenhuma fiança. O juiz reconheceu que a prisão realmente era desnecessária”, afirmou o advogado ao MidiaNews.
Antes da decisão que determinou a soltura, Fernando Faria já havia afirmado à reportagem que a prisão da empresária era “absurda e arbitrária” e não teria fundamentos legais para ser mantida.
Segundo a defesa, um dos elementos utilizados na investigação seria uma mensagem trocada entre Thatiana e o irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, em 2024. O advogado sustenta que o conteúdo não teria relação com o objeto principal da investigação e argumenta que os fatos não são contemporâneos à decretação da prisão.
Márcio está preso desde fevereiro de 2025, após ser flagrado em uma aeronave com 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base, em Tocantins.
“Essa prisão é absurda, arbitrária, sem fundamento algum. A busca e a prisão, ilegais. Prisão preventiva ilegal. Uma mensagem de 2024? Estamos em 2026. Hoje o contexto é totalmente diferente, não tem nada a ver a polícia motivar isso aí para prender uma advogada que tem residência fixa, que tem emprego, que toca e emprega pessoas aqui em Cuiabá há muitos anos. Tem uma filha de nove anos”, afirmou o advogado antes da decisão.
Thatiana é sócia e administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, localizado na região da Praça Popular, em Cuiabá.
Durante as buscas na residência da empresária, em Cuiabá, foram apreendidos joias, relógios, veículos e dinheiro em espécie. Segundo Fernando Faria, os valores encontrados são compatíveis com a renda da investigada. O advogado também afirmou que o Tatu Bola Bar não possui qualquer vínculo com os fatos apurados.
Operação Bóreas
A Operação Bóreas foi deflagrada pela Polícia Federal do Tocantins. Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas.
O Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas também determinou a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores.
A Polícia Federal ainda solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
A investigação busca desarticular um grupo suspeito de utilizar aeronaves e pistas clandestinas em uma estrutura logística voltada ao transporte de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru para o Brasil.
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