Política
Ananias fecha portas do PL para prefeitos que apoiarem Pivetta em 2028
O presidente estadual do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, endureceu novamente o discurso contra prefeitos da legenda que declararam apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado, contrariando o projeto oficial do partido, que tem o senador Wellington Fagundes como candidato. Ananias afirmou que os gestores considerados infiéis não terão espaço para comandar os diretórios municipais nas eleições de 2028.
A declaração atinge principalmente os prefeitos de Várzea Grande, Flávia Moretti; de Rondonópolis, Cláudio Ferreira; e de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, que manifestaram apoio à reeleição de Pivetta mesmo pertencendo ao PL. Segundo Ananias, o departamento jurídico da sigla já foi acionado para instaurar procedimentos contra os gestores, garantindo direito de defesa e cumprimento dos trâmites partidários.
Ananias afirmou que considera legítimo um filiado discordar da orientação partidária, mas defendeu que, nesse caso, o integrante deveria deixar a legenda antes de apoiar outro candidato. Para ele, os prefeitos que utilizaram a estrutura do PL durante suas campanhas deveriam demonstrar “comprometimento” com o partido.
“Eu acho que não deveria nem ter expulsão, acho que eles deveriam ter a moral e o caráter de pedir o afastamento do partido, assim como eu dou parabéns ao Edilson Piaia, que chegou ao partido e pediu. Assim é digno, tem dignidade de falar, de pedir o afastamento”, declarou Ananias.
O dirigente se referia ao prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia, que deixou o PL antes de formalizar seu posicionamento político divergente. Ananias afirmou que gostaria de ver a mesma postura dos demais gestores que não pretendem seguir a candidatura de Wellington.
Sem espaço em 2028
Questionado sobre o futuro político dos prefeitos dissidentes, Ananias foi categórico ao afirmar que eles não terão o controle das estruturas municipais do PL para a próxima eleição municipal.
“Certeza absoluta de que não terão o diretório. Quem escolhe os candidatos são os diretórios, nenhum que for infiel terá os diretórios de suas cidades. Se quiserem pagar para ver, podem ver. Não vou, de forma alguma, deixar os diretórios na mão deles”, afirmou.
A disputa interna ocorre em meio à campanha para o Governo de Mato Grosso. Wellington Fagundes é o candidato oficial do PL, enquanto Pivetta busca a reeleição pelo Republicanos e vem recebendo apoio de prefeitos e outras lideranças que, apesar de integrarem o PL, decidiram não acompanhar a candidatura do próprio partido.
Apesar do racha, Ananias minimizou os possíveis efeitos eleitorais da dissidência e afirmou que o eleitorado está mais independente da orientação de lideranças municipais. A direção do PL, por outro lado, mantém a avaliação de que os filiados precisam respeitar as decisões tomadas pela legenda.
A crise já vinha sendo tratada publicamente pelo presidente estadual. Nesta semana, Ananias havia anunciado que os prefeitos seriam submetidos a procedimentos internos, com possibilidade de punições, inclusive expulsão. Agora, além da eventual saída dos gestores, ele deixou claro que pretende impedir que os considerados “infiéis” voltem a controlar diretórios do partido nas eleições de 2028.
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