Judiciario
Defesa nega fuga e afirma que servidor do TJ vai se entregar
Considerado um foragido da Justiça, o servidor do Tribunal de Justiça Mauro Ferreira Filho deve ser apresentar à Polícia Federal em breve. A informação foi dada nesta quarta-feira (6) pelo seu advogado Geral Bahia, que alegou que o servidor está em viagem.
Mauro Ferreira foi alvo de mandados de busca e apreensão e prisão no âmbito da Operação Sepulcro Caiado, deflagrada no último dia 30 de julho. Ele é suspeito de participar de um esquema que pode ter dado um prejuízo de R$ 21 milhões ao Judiciário de Mato Grosso.
Bahia disse à reportagem que não sabe detalhes sobre destino e nem quando o deve ser o retorno de Mauro Ferreira a Cuiabá para a eventual apresentação.
Segundo o advogado, a conversa com seu cliente foi breve e ele se limitou a negar as acusações feitas pela investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso.
“A gente ainda está entendendo tudo. O Mauro era subordinado [no TJ-MT]. À principio, ele não admite participação alguma nisso”, disse o advogado.
“De forma muito genérica, ele me disse que não tem relação com esses fatos, que é um mal entendido. Mas foi uma conversa breve, até porque ele está viajando”, emendou.
Inicialmente as investigações foram conduzidas pela Polícia Civil, mas na noite da deflagração da operação foram avocadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ficando a partir de agora sob a responsabilidade da Polícia Federal. Não há detalhes sobre o por que o STJ assumiu a investigação.
Peça-chave
A decisão que embasou a Sepulcro Caiado, proferida pelo juiz das garantias Moacir Rogério Tortato, apontou para um possível envolvimento de Mauro Ferreira no esquema criminoso.
Ele, enquanto servidor, teria antecipado “movimentações processuais, promovido vinculações indevidas de valores e facilitar o acesso aos depósitos judiciais, inclusive antes da protocolização formal dos requerimentos”.
A Sepulcro Caiado investiga um grupo que teria atuado por anos manipulando registros da conta de depósitos judiciais para viabilizar saques indevidos, transferências simuladas e fraudes documentais, com prejuízo aos cofres públicos e às partes envolvidas em processos judiciais.
Segundo o delegado responsável pela operação, Pablo Carneiro, Mauro Ferreira era peça-chave no esquema. “Esse servidor conseguia fazer a movimentação da conta única do TJ. São valores antigos, de processos que estão parados há vários anos. Ele transferia valores dessa conta para contas vinculadas aos processos”, disse o delegado.
Além Mauro, o inquérito envolve advogados e empresários, todos suspeitos de integrar o núcleo operacional e financeiro do esquema. As investigações apontam que os desvios podem ultrapassar R$ 21 milhões.
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