Judiciario
Desembargador nega conhecimento de esquema e exonera servidora
O desembargador Juvenal Pereira da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), afirmou que exonerou a servidora Mhayra Alves Pacheco Abes, alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Falsa Vantagem, e negou qualquer conhecimento dos fatos investigados.

O desembargador reafirma seu compromisso com a transparência e a integridade institucional
A operação, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (25), apura o envolvimento de um grupo criminoso em um suposto esquema de influência sobre decisões judiciais.
Mhayra estava lotada no gabinete do desembargador desde agosto de 2022, onde atuava como assessora jurídica.
Além dela, também foram alvos da ação o advogado Ademir Rosa Gomes e um policial penal, que ainda não teve a identidade revelada.
Por meio de nota, divulgada pelo TJ-MT, Juvenal afirmou que não havia sido oficialmente notificado sobre a investigação. No entanto, após tomar conhecimento da operação e da possível participação da servidora por meio da imprensa, determinou sua exoneração imediata.
“Tão logo soube da existência das investigações e da possível participação de uma servidora comissionada vinculada ao gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, o magistrado determinou sua imediata exoneração do cargo”, informou.
“O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso”, acrescentou.
Ainda de acordo com o documento, o desembargador reiterou sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela investigação e colocou-se à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
“O desembargador reafirma seu compromisso com a transparência e a integridade institucional, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes no que for necessário ao completo esclarecimento dos fatos”, diz outro trecho da nota.
O magistrado também ressaltou que eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pelas instâncias competentes, com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
A Operação
A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta quinta-feira, cinco mandados de busca e apreensão expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Cuiabá.
O grupo investigado é suspeito da prática dos crimes de extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
Segundo as investigações, os envolvidos prometiam influenciar decisões judiciais mediante o pagamento de vantagens indevidas. Entre os alvos da operação está a servidora, Mhayra Alves Abes.
Um dos casos apurados aponta que os investigados teriam prometido a familiares de um condenado a anulação da pena imposta pela Justiça, alegando possuir influência junto à servidora responsável pelos atos processuais.
Para viabilizar a suposta interferência, o grupo teria cobrado R$ 150 mil em espécie, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores.
No entanto, a decisão judicial resultou apenas na redução da pena do condenado, e não em sua anulação.
A situação gerou desentendimentos entre as partes, e o beneficiário passou a exigir a devolução dos valores pagos, circunstância que também passou a ser investigada pela Polícia Civil.
Leia a nota na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
O Poder Judiciário de Mato Grosso informa que, até o presente momento, não foi oficialmente notificado acerca da operação policial denominada “Falsa Vantagem”, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (25).
A instituição tomou conhecimento dos fatos por meio da divulgação realizada pelos veículos de comunicação.
Tão logo soube da existência das investigações e da possível participação de uma servidora comissionada vinculada ao gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, o magistrado determinou sua imediata exoneração do cargo.
O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso.
O Poder Judiciário de Mato Grosso reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade institucional, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes no que for necessário ao completo esclarecimento dos fatos.
Eventuais responsabilidades serão apuradas pelas instâncias competentes, sempre com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
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