Judiciario
Desembargadora se despede do TJ-MT: Imensa alegria e gratidão
A desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), participou nesta quinta-feira (21) de sua última sessão nas Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo.

Uma mulher valente, inteligente, competente e com enorme estatura moral e ética”
Antes do julgamento, magistrados, servidores, assessores e amigos prestaram homenagens à desembargadora, em uma cerimônia marcada por emoção, carinho e reconhecimento à trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à magistratura mato-grossense.
A sessão foi presidida pelo desembargador Márcio Vidal e contou com a participação da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, dos desembargadores Rodrigo Roberto Curvo, Deosdete Cruz Júnior e Jones Gattass Dias, além do juiz convocado Antônio Veloso Peleja Júnior.
Maria Erotides completa 75 anos no próximo dia 4 de junho, idade limite para o serviço público.
Com a aposentadoria da desembargadora, o TJ-MT abrirá disputa para o preenchimento da vaga. O novo integrante da Corte será escolhido entre juízes de primeira instância, pelo critério de merecimento.
Reconhecimentos e memórias
Durante a sessão, o desembargador Márcio Vidal destacou a importância da magistrada para o Judiciário mato-grossense. “A sociedade brasileira e mato-grossense está muito carente de pessoas da envergadura da desembargadora Maria Erotides Kneip. Uma mulher valente, inteligente, competente e com enorme estatura moral e ética”, falou.
O desembargador Jones Gattass Dias relembrou que a admiração pela colega começou ainda nos tempos da faculdade de Direito da UFMT, quando Maria Erotides já era referência na magistratura mato-grossense pela atuação firme no Tribunal do Júri de Várzea Grande.
“Nós íamos assistir às sessões presididas por ela e aprendíamos muito. Aquilo nos enchia de entusiasmo para seguir a carreira da magistratura”, recordou.
Segundo ele, anos depois, a relação profissional evoluiu para uma convivência próxima no Judiciário e posteriormente no Pleno do Tribunal de Justiça. “O que começou com admiração tornou-se o privilégio de dividir a magistratura com uma colega exemplo de retidão, ética e dedicação. Sou muito grato pelo tempo de convivência”, disse.
Já a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos destacou a amizade construída ao longo de décadas e que foi fortalecida na convivência diária entre gabinetes vizinhos dentro do TJMT.
“Ela foi uma grande incentivadora da minha trajetória na magistratura até eu chegar ao cargo de desembargadora. Tenho profunda gratidão pelos ensinamentos, pela amizade e pelo exemplo que sempre transmitiu. Ela tem o dom da magistratura e sempre foi uma juíza que lutou por todos”, contou emocionada.

Ela tem o dom da magistratura e sempre foi uma juíza que lutou por todos
O juiz Antônio Veloso Peleja Júnior também ressaltou o legado deixado pela desembargadora. “Ela é um farol para a magistratura e para a sociedade. Sempre foi intensa, trabalhadora e comprometida com os mais necessitados e com a defesa dos direitos das mulheres”,
Ao final, visivelmente emocionada, Maria Erotides falou sobre o significado daquele momento. “Foi um momento de imensa alegria e gratidão. Passou um filme da minha vida profissional e eu concluí que fui muito privilegiada por Deus por ter pessoas tão boas na minha vida”, ressaltou.
Questionada sobre o conselho que deixaria para os novos magistrados, respondeu de forma simples e direta: “Respeito e estudo. Cada pessoa tem sua história e é preciso respeitar sempre. E no Direito, estudar todos os dias, sem exceção.”
Mais que chefe, uma mãe e professora
Dentro de seu gabinete, o sentimento é o mesmo: o grupo de servidores que ela escolheu para assessorá-la se tornou uma família sob o comando de uma líder maternal e amorosa.
Há 27 anos ao lado da desembargadora, o assessor administrativo Edson de Almeida falou sobre a admiração construída ao longo da convivência diária. “Ela sempre foi uma pessoa maravilhosa. É uma mãezona, como muitos dizem, e eu também penso assim.”
A revisora do gabinete, Fabiana Rodrigues, que trabalha há 13 anos com a desembargadora, resumiu a relação construída ao longo do tempo. “As pessoas já conhecem a magistrada atuante e justa que ela sempre foi. Mas eu queria falar da questão humana. Muitas vezes ela foi colo, foi apoio, foi uma verdadeira mãe no gabinete para mim”, disse.
O assessor técnico-jurídico Rodolfo Cézar Cassiano destacou o aprendizado acumulado em uma década de convivência. “Maria Erotides não é só uma chefe. Ela é uma professora, uma mestre que ensina não só Direito, mas também como ser humano e como ser justo.”
A atual gestora do gabinete, Flávia Christina da Silva Assunção, relembrou que trabalha com Maria Erotides desde 1999. “Aprendi muito com ela desde esse tempo e hoje posso declarar que, com a ajuda dela, estou pronta para a magistratura.”
Emocionada, a assessora Ângela Maria Guerra agradeceu pela confiança recebida. “Só tenho gratidão pela senhora e estarei sempre aqui para o que precisar.”

Maria Erotides não é só uma chefe. Ela é uma professora, uma mestre que ensina não só Direito, mas também como ser humano e como ser justo
A assessora jurídica Maryanna Ramos Campos Oliveira também destacou o acolhimento recebido em um momento especial da vida pessoal. “Logo que cheguei ao gabinete, descobri minha gravidez e fui muito bem acolhida. A desembargadora sempre apoiou e dizia que meu filho era uma bênção do gabinete. Ela abraça, acolhe e ensina.”
A assessora jurídica Emmanuele Sarat Baracat de Arruda falou sobre a oportunidade de trabalhar ao lado da magistrada tanto na vice-presidência quanto no gabinete. “A senhora mora no meu coração. Sou muito grata por tudo.”
Já Bianca Braga, que trabalha há sete anos com a desembargadora, relembrou que chegou ao gabinete em um período difícil da vida. “Meu pai tinha falecido recentemente e foi uma oportunidade gigantesca de voltar a viver e crescer profissionalmente. Não existe preço que pague tudo que aprendi nesses anos.”
Com 34 anos de convivência profissional, Neuza Miranda Corrêa Duarte emocionou os presentes ao lembrar dos trajetos diários feitos ao lado da magistrada, sempre acompanhados de orações. “Agora serão novas avenidas nas nossas vidas, mas eu vou continuar aqui, com o terço na mão, rezando”, afirmou.
O assessor jurídico Giovani Antônio Rodrigues, há 27 anos no gabinete, definiu Maria Erotides como uma referência de honestidade, lealdade e humanidade. “Eu nunca a vi apenas como chefe. Sempre vi como uma mãe.”
Trajetória
Maria Erotides formou-se em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 1973 e ingressou na magistratura em 1985. Atuou em diversas comarcas do Estado, especialmente em Várzea Grande, onde presidiu o Tribunal do Júri por 19 anos. Em 2011, tornou-se desembargadora do TJMT, onde também atuou como corregedora-geral e vice-presidente do Tribunal de Justiça.
Referência na defesa dos direitos das mulheres, coordenou a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT) e teve atuação destacada em pautas ligadas ao enfrentamento da violência doméstica.
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