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Errei; essa coisa me corrói todos os dias, diz Carlinhos em júri

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O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, réu confesso pelos assassinatos da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, afirmou nesta sexta-feira (31), durante o Tribunal do Júri, que se arrepende diariamente do crime que cometeu, em janeiro de 2023, e reconheceu que tomou a pior decisão de sua vida.

Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias

 

“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, afirmou Carlinhos. O julgamento é aberto ao público, mas a imprensa não tem permissão para fazer imagens. 

 

Em outro momento do depoimento, o empresário disse que não há um único dia em que deixe de lamentar a morte de Thays.

 

“Não há um único dia em que eu não me arrependa de ter tirado a vida dela e da relação que ela tinha com a filha”, afirmou. 

 

Durante cerca de duas horas de interrogatório, Carlinhos respondeu a perguntas da defesa, do Ministério Público e da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. 

 

Ele descreveu o relacionamento com Thays como “muito bom”, embora admitisse que o casal vivia constantes términos e reconciliações. Segundo o empresário, eles namoraram por três anos e sete meses, chegaram a planejar o casamento e, inclusive, Thays teria sugerido acrescentar o sobrenome dele ao nome da filha.

 

Término

 

Carlinhos contou que o relacionamento chegou ao fim após um almoço em um restaurante, no dia 24 de dezembro de 2022. Na ocasião, segundo ele, Thays conversou com outro homem sem apresentá-lo como namorado e, por isso, decidiu terminar.

Reprodução

Carlinhos bezerra e corpo

Thays e o namorado foram mortos à luz do dia; em detalhes Carlinhos Bezerra

O empresário afirmou que, dias depois, os dois voltaram a conversar e planejavam passar o réveillon juntos. No entanto, a ex-companheira teria encerrado definitivamente a relação após uma nova discussão.

 

Ele disse que ainda acreditava em uma reconciliação e, por isso, tentou procurá-la para conversar. “Ainda tinha esperança de que ela se acalmasse e nós reatássemos”, afirmou.

 

Segundo o réu, como os dois mantinham o compartilhamento da localização dos celulares, ele viu que Thays estava na rodoviária e decidiu ir até o local para entender os motivos do término.

 

Carlinhos relatou que, ao chegar, viu um homem entrando no carro da ex-companheira e passou a segui-la. Ele afirmou que a motivação era apenas descobrir quem era a pessoa.

 

Ainda conforme seu relato, Thays percebeu que estava sendo seguida e dirigiu até a Central de Flagrantes da Prainha. O empresário disse que não sabia que ela havia registrado um boletim de ocorrência.

 

“Perdi o controle”

 

Ao falar sobre o momento do crime, Carlinhos afirmou que encontrou novamente Thays e Willian por acaso quando seguia para um shopping, onde pretendia encontrar amigos.

 

Segundo ele, parou o carro ao lado do casal e perguntou à ex-companheira por que ela não atendia suas ligações.

 

O empresário alegou que Willian teria caminhado em direção ao veículo e o insultado. “Na hora em que ele veio para a minha direção e me xingou, eu perdi o controle”, disse.

 

Carlinhos afirmou que efetuou o primeiro disparo com a intenção de atingir Willian, e não Thays. Também declarou que sofreu um “apagão” e não se recorda de detalhes do restante da ação.

 

Questionado pelo Ministério Público sobre o fato dessa versão nunca ter sido apresentada durante a investigação, respondeu que havia contado o episódio ao antigo advogado, mas que, após a prisão, mal conseguia falar.

 

Nega perseguição

 

Apesar das provas reunidas pela Polícia Civil e do depoimento do delegado Marcel Oliveira, que apontou uma perseguição sistemática contra Thays, Carlinhos negou ter monitorado a ex-companheira.

 

Não há um único dia em que eu não me arrependa de ter tirado a vida dela e da relação que ela tinha com a filha

Ele afirmou que as anotações encontradas em sua residência eram resultado de um hábito pessoal de registrar informações e disse que, antes da Covid-19, possuía “memória fotográfica”.

 

Segundo o empresário, as informações sobre os deslocamentos de Thays eram obtidas por meio do compartilhamento de localização que ambos mantinham nos celulares.

 

Carlinhos também negou que as ligações insistentes fossem uma forma de perseguição. “Eu não gosto de escrever. Eu gosto de falar”, justificou.

 

Ao comentar o depoimento prestado mais cedo pelo delegado Marcel Oliveira, o empresário afirmou que parte das informações apresentadas pela investigação não corresponde à verdade.

 

“Nunca pensei em fugir”

 

O réu também explicou por que dirigiu até Campo Verde após o crime. Segundo ele, precisava “racionalizar” o que havia acontecido antes de se apresentar à polícia.

 

Disse que pretendia ir até uma fazenda da família, tomar um copo de água e, em seguida, retornar para se entregar. “Em momento algum pensei em fugir”.

 

Carlinhos ainda negou ter descumprido medidas cautelares durante o processo e criticou parte da cobertura do caso pela imprensa, afirmando que nunca circulou com seguranças armados, como, segundo ele, chegou a ser noticiado.

 

O caso

 

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30.

 

O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no Bairro Consil, em Cuiabá. O casal aguardava um carro de aplicativo quando foi surpreendido pelo empresário, que efetuou diversos disparos.

 

Conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros, enquanto Willian foi baleado no braço esquerdo e no peito. À época, Thays era servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), e Willian era empresário em São Paulo.

 

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Fonte: Mídianews

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