Judiciario
Justiça Federal solta pioneiro de Cuiabá preso na Operação Venalis após sete meses na PCE
Conteúdo/ODOC – A Justiça Federal concedeu liberdade provisória a Almir Nunes de Araújo, de 66 anos, preso desde agosto de 2025 durante a Operação Venalis, da Polícia Federal. A decisão é da juíza Karen Laís Leite de Arruda e Silva Reus, da Vara Federal Cível e Criminal de Barra do Garças.
Almir estava custodiado na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, e deixou a unidade após quase sete meses de prisão preventiva. Para responder ao processo em liberdade, ele terá de cumprir medidas cautelares, entre elas comparecimento bimestral em juízo, proibição de deixar a cidade sem autorização judicial e uso de tornozeleira eletrônica.
A Operação Venalis foi deflagrada para investigar um suposto esquema de tráfico internacional de drogas e outros crimes conexos. À época, cerca de 70 policiais federais participaram da ação, com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso, por meio da Força Tática de Cáceres. Além das prisões e mandados de busca e apreensão, houve bloqueio de contas bancárias e quebra de sigilos fiscal, bancário e financeiro de investigados e empresas ligadas ao grupo.
Segundo as investigações, os suspeitos atuariam em diferentes funções na estrutura criminosa, como transportadores, intermediadores, distribuidores e pessoas usadas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
Ao analisar o pedido da defesa, a magistrada levou em consideração a condição pessoal do acusado, a idade avançada e problemas de saúde, incluindo diabetes. A decisão também apontou que a participação atribuída a ele seria secundária, descrita como a de um “laranja”, sem autonomia dentro do suposto esquema.
A defesa, representada pela advogada Michelle Marie de Souza, em conjunto com os advogados Matheus Henrique Urgniani, Amanda Marques e Matheus Pasovani, sustentou que houve cerceamento de defesa, sob o argumento de que não teria sido garantido acesso integral às provas reunidas pela Polícia Federal. A audiência de instrução chegou a ser suspensa.
Os advogados também destacaram que Almir é réu primário e que as condições de saúde seriam incompatíveis com o sistema prisional.
Com a decisão, o acusado continuará respondendo ao processo, mas fora do cárcere, sujeito às restrições impostas pela Justiça Federal.
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