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Plano teria meta de cassar Flávia e levar Wanderley à Prefeitura

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Uma suposta articulação política para cassar o mandato da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), e abrir caminho para que o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), chegasse ao comando da Prefeitura está entre os fatos investigados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). 

 

A suspeita consta no inquérito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça-feira (20) e que apura um possível esquema de corrupção, compra de votos e formação de organização criminosa envolvendo vereadores do município.

 

Segundo o Gaeco, a denúncia que deu origem à investigação apontava que um grupo de parlamentares estaria se articulando não apenas para garantir a reeleição de Wanderley à presidência da Câmara, mas também para formar uma maioria política capaz de deflagrar um processo de cassação contra Flávia.

 

A suspeita ganhou novos elementos com o depoimento do vereador Caio Cordeiro (Novo). 

 

Segundo ele, a cassação da prefeita poderia levar Wanderley posteriormente à chefia do Executivo.

 

O documento não demonstra que a cassação tenha sido formalmente proposta nem que houvesse votos suficientes para concretizá-la.

 

Plano teria começado antes da posse

 

Um relatório de inteligência do Gaeco aponta que a suposta articulação contra Flávia Moretti teria começado ainda na virada de 2024 para 2025, antes mesmo do início da atual gestão municipal.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Wanderley Cerqueira

O presidente da Câmara de Vereadores de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira

Conforme o relato de uma testemunha que teve a identidade preservada, vereadores teriam se reunido na chácara do parlamentar Miguel Júnior, no Distrito da Guia, em Cuiabá, para definir o apoio à eleição de Wanderley à presidência da Câmara.

 

Segundo a testemunha, o encontro teria contado com apoio financeiro do empresário Rômulo Botelho e de William Cerqueira, filho de Wanderley.

 

Além de garantir o comando da Mesa Diretora, a reunião teria servido para formar um grupo de oposição à prefeita recém-eleita, com o objetivo de afastá-la do poder.

 

O então vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) renunciaria ao cargo. Sem vice-prefeito, Wanderley, na condição de presidente da Câmara, passaria a ser o principal beneficiário de uma eventual sucessão municipal.

 

Reunião de vereadores

 

A investigação também menciona uma reunião realizada em 13 de maio de 2026, na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028.

 

Segundo a denúncia recebida pelo Gaeco, mais de dez vereadores estariam reunidos na chácara de Miguel Júnior, sob a liderança de Wanderley, para assegurar sua recondução à presidência do Legislativo.

 

O encontro também teria como objetivo consolidar uma maioria parlamentar capaz de iniciar um processo de cassação da prefeita.

 

A denúncia mencionava a presença de homens armados e a suposta utilização de dinheiro em espécie para compra de votos.

 

Diligências realizadas pelo Gaeco identificaram movimentação na propriedade, além da presença de parlamentares e veículos vinculados a vereadores.

 

Em decisão de 7 de outubro, a Justiça registrou que um dos objetivos atribuídos ao grupo investigado seria formar uma maioria parlamentar para pressionar a chefe do Executivo, viabilizar a abertura de um processo de cassação e garantir influência sobre setores da administração municipal.

 

Interesse no DAE

 

As investigações também apontam que a suposta articulação política estaria relacionada a interesses econômicos envolvendo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e concessões públicas municipais.

 

Em depoimento, Caio Cordeiro afirmou que Wanderley demonstrava interesse na concessão ou privatização do DAE e teria mencionado a possibilidade de distribuir cerca de R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada.

 

Para o Gaeco, os relatos indicam uma possível conexão entre a manutenção do controle político da Câmara, a tentativa de ampliar a influência sobre o Executivo e a obtenção de vantagens econômicas.

 

As suspeitas integram o procedimento investigatório criminal instaurado pelo Ministério Público, que motivou pedidos de busca e apreensão e acesso a dados eletrônicos dos investigados.

 

Até o momento, os documentos analisados não comprovam a existência de um plano efetivamente executado para cassar Flávia Moretti. As informações sobre essa suposta articulação decorrem principalmente de uma denúncia anônima e de depoimentos colhidos pelo Gaeco.

 

A operação 

 

Ao todo, a operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

 

Entre os alvos estão o próprio Wanderley Cerqueira e os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

 

Também foram alvos a diretora financeira da Casa, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

 

Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também estão entre os investigados. 

 

As investigações buscam esclarecer se houve negociação de votos e oferecimento de vantagens indevidas para influenciar o resultado da eleição.

 

Leia mais: 

 

Vereador relata ao Gaeco oferta de R$ 500 mil por privatização do DAE





Fonte: Mídianews

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