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Produtora rural culpa marido para se livrar de ação; TJ nega

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A Justiça de Mato Grosso negou recurso e manteve a produtora rural Elenice Ballarotti Laurindo como ré na ação penal que apura o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, em Cuiabá.

 

Ele e o marido, Aníbal Manoel Laurindo, são acusados de serem os mandantes do crime e respondem por homicídio qualificado e organização criminosa.

 

A decisão foi assinada pelo do juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), e publicada nesta quarta-feira (1º). 

 

No recurso, a defesa de Elenice alegou que ela está sendo responsabilizada apenas por ser esposa de Aníbal, sustentando que todas as movimentações financeiras e telefônicas atribuídas a ela eram, na verdade, praticadas pelo marido.

 

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Elenice e Aníbal encomendaram a morte de Zampieri em razão de uma disputa pela posse da Fazenda Lagoa Azul, localizada em Ribeirão Cascalheira e avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O advogado representava a parte adversária no conflito.

 

Divulgação

Roberto Zampieri

O advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em Cuiabá

O Ministério Público afirma que o casal contratou a execução do crime por intermédio do grupo conhecido como “Comando C4”, liderado pelo coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Conforme a denúncia, foram pagos R$ 124.250 antes do assassinato e outros R$ 60 mil após a execução.

 

Ainda de acordo com a acusação, logo depois do homicídio, Caçadini telefonou para um número ligado a Elenice para informar que o crime havia sido concluído.

 

No recurso, os advogados afirmaram que não há provas da participação direta de Elenice e disseram que a acusação se apoia apenas no fato de ela ser casada com Aníbal.

 

A defesa alegou que os telefones registrados em nome da produtora eram usados exclusivamente pelo marido e que as movimentações bancárias apontadas pelo Ministério Público também foram realizadas por ele.

 

Sustentou ainda que uma transferência de R$ 2 mil via Pix mencionada na investigação ocorreu meses antes do assassinato e não teria qualquer relação com o crime.

 

Na decisão, o magistrado afirmou que essas alegações precisam ser examinadas durante o andamento da ação penal e não são suficientes para encerrar o processo neste momento.

 

Na decisão, ele destacou que a investigação aponta saques de altos valores em contas de Elenice em datas próximas ao planejamento e à execução do crime, além de depósitos para uma empresa ligada a Caçadini.

 

O juiz também considerou relevante o telefonema recebido por um número associado à produtora rural logo após o assassinato de Zampieri, afirmando que esse elemento não pode ser descartado nesta fase da investigação.

 

“A existência de saques vultosos em contas de titularidade de Elenice em datas compatíveis com o planejamento e a execução do crime, seguidos de depósitos em conta da empresa de Caçadini, constitui dado objetivo que, em tese, pode ser valorado como indício de participação no financiamento da empreitada criminosa. A ligação telefônica recebida por número associado à paciente imediatamente após o homicídio, por sua vez, é elemento que […] não pode ser descartado de plano em sede liminar”, afirmou o magistrado.

 

A ação

 

Além de Elenice e Aníbal Laurindo , também são réus na ação penal Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater Eles respondem por organização criminosa. 

 

Etevaldo de Vargas, Hedilerson Barbosa e Antônio da Silva já haviam sido denunciados anteriormente pela prática de homicídio qualificado e já se encontram pronunciados para julgamento perante o Tribunal do Júri.

 

Etevaldo é coronel reformado do Exército e apontado como financiador do crime; Hedilerson é atirador e suspeito de ter atuado como intermediário do homicídio; já Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado os disparos que mataram Zampieri.

 

O crime 

 

O advogado Roberto Zampieri foi assassinado com 10 tiros na noite do dia 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório do qual era sócio, o Zampieri & Campos, no Bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

 

Vídeo de câmera de segurança filmou o advogado caminhando até sua Fiat Toro, e sentando no banco do motorista.

 

O atirador, que ficou sentado na calçada em frente ao estabelecimento por mais de uma hora, aguardando a saída do jurista, se aproximou do veículo, sacou a arma e, da calçada, atirou diversas vezes em Zampieri.

 

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Fonte: Mídianews

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