Política
Saída de secretário da Fazenda amplia tensão na gestão Flávia Moretti em Várzea Grande
O secretário municipal de Fazenda, Marcos José da Silva, pediu exoneração do cargo nesta terça-feira (21), mesmo dia em que reassumiu as atividades após o período de férias.
A saída ocorre em um momento delicado para a gestão da prefeita Flávia Moretti (PL), que recentemente decretou situação de calamidade financeira e fiscal no município e no Departamento de Água e Esgoto (DAE), diante das dificuldades enfrentadas pelas contas públicas.
Ligado ao ex-vice-prefeito Tião da Zaeli, Marcos passou a ser apontado nos bastidores como possível nome para integrar a estrutura da Fecomércio, atualmente presidida por Zaeli. A informação, no entanto, não foi oficialmente confirmada.
O pedido de exoneração acontece após a Prefeitura enfrentar uma série de dificuldades financeiras. A prefeita decretou calamidade depois que a Justiça determinou o bloqueio de R$ 19 milhões das contas municipais em razão do atraso no pagamento de três parcelas de precatórios. A decisão resultou no bloqueio de repasses do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).
Segundo dados apresentados pela administração municipal, o município enfrenta uma dívida próxima de R$ 1 bilhão em precatórios, valor que atualmente representa um impacto mensal estimado em R$ 6 milhões no caixa da Prefeitura.
Além dos precatórios, Várzea Grande também acumula pendências tributárias de R$ 19,4 milhões e outros R$ 36 milhões em débitos que impedem a emissão de certidões fiscais, dificultando o acesso a novos recursos federais.
A situação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) é considerada ainda mais preocupante pela administração. A autarquia enfrenta um déficit imediato de R$ 28,7 milhões e uma dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica. O órgão também acumula R$ 314 milhões em precatórios próprios e deixou de cobrar, conforme os dados divulgados, R$ 158,8 milhões em dívida ativa.
Com a saída do titular da Fazenda e o cenário de restrições financeiras, a gestão municipal passa a enfrentar mais um desafio na tentativa de reorganizar as contas públicas e garantir a continuidade dos serviços essenciais.
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