Judiciario
STJ barra tentativa da defesa de Carlinhos para suspender júri
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou liminar para suspender o Tribunal do Júri do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a tiros a ex-namorada, Thays Machado, e o então companheiro dela, Willian César Moreno, em 2023, em Cuiabá. A decisão é do ministro Og Fernandes e foi publicada nesta terça-feira (19).
A Justiça de Mato Grosso marcou o júri de “Carlinhos” para o dia 7 de julho, às 9h, no Fórum da Capital. A informação foi divulgada nesta terça-feira (19). O empresário é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB).

O exame dos fundamentos apresentados não indica, de plano, a ocorrência de constrangimento ilegal evidente
No recurso, os advogados pediam a suspensão liminar do júri até a análise do mérito, no qual a defesa busca transferir o julgamento para outro Estado ou para outra cidade de Mato Grosso.
A defesa alegou que a ampla repercussão do caso comprometeria a imparcialidade dos jurados. Segundo os advogados, manifestações sociais e institucionais, além da condição de familiar de pessoa politicamente exposta do acusado, teriam influenciado a cobertura do crime.
A defesa também apontou suposto risco à ordem pública e à integridade física do empresário, citando ameaças sofridas no ambiente prisional, pois a repercussão do caso teria alcançado todo o território mato-grossense, o que justificaria a realização do júri em outro Estado.
Na decisão, o ministro afirmou que, em uma análise inicial do caso, não identificou elementos suficientes para autorizar a suspensão urgente do júri popular.
O ministro ainda destacou que não verificou constrangimento ilegal evidente na decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) que rejeitou o pedido de desaforamento.
Chico Ferreira/Gazeta

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, que irá a júri popular
“O exame dos fundamentos apresentados não indica, de plano, a ocorrência de constrangimento ilegal evidente, apto a autorizar a concessão da medida de urgência”, escreveu.
Por fim, o magistrado determinou que oTJ-MT envie informações para análise do mérito do recurso.
O crime
Thays, de 44 anos, e Willian, de 30, foram mortos a tiros no dia 18 de janeiro no bairro Consil, em frente ao Edifício Solar Monet. Eles foram até o edifício, onde mora a mãe de Thays, para deixar um veículo na garagem.
Ao sair na portaria para aguardar a chegada de um veículo de transporte por aplicativo, o casal foi surpreendido pelo assassino, que conduzia um Renault Kwid, e passou a fazer os disparos contra o casal, que morreu ainda no local.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constatou que Thays foi atingida por três disparos, sendo dois nas costas e um no quadril.
Willian foi atingido no braço esquerdo e no peito. Ele tentou fugir da mira do atirador, mas caiu na calçada, a poucos metros de Thays, e não resistiu aos ferimentos.
Thays era servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e Willian era empresário em São Paulo (SP). Ele e Thays haviam iniciado relacionamento poucas semanas antes de serem mortos.
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