Judiciario
Grupo Pupin acusa consultoria Fource de fraude em recuperação judicial milionária
Conteúdo/ODOC – O produtor José Pupin, que já foi conhecido como “Rei do Algodão” em Mato Grosso, denunciou à Justiça supostas fraudes na execução da recuperação judicial bilionária do seu grupo empresarial. Segundo ele, os atos irregulares teriam sido praticados pela consultoria Fource, citada na Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que investiga um esquema de venda de decisões judiciais.
A recuperação do Grupo Pupin foi apresentada à 1ª Vara de Campo Verde em 2017, envolvendo dívidas de cerca de R$ 1,3 bilhão.
Na denúncia, protocolada em 30 de setembro, os advogados do grupo afirmam que a gestão da recuperação foi entregue à Fource, que teria adotado medidas para dilapidar o patrimônio do Grupo Pupin e favorecer empresas e fundos ligados à própria consultoria.
De acordo com a defesa, Pupin só tomou conhecimento das supostas irregularidades recentemente, após credores apontarem indícios de fraude e a PF incluir a Fource na investigação da Operação Sisamnes.
Interceptações da operação mostram um advogado suspeito de comprar decisões judiciais conversando com Haroldo Augusto Filho, sócio da Fource.
Nos diálogos, ele afirma ter “acertado com um desembargador” uma decisão favorável ao Grupo Pupin.
Haroldo foi alvo de busca e apreensão em novembro de 2024 e atualmente usa tornozeleira eletrônica.
Compra de dívidas e conflito de interesses
Os advogados sustentam que a Fource, enquanto administrava a recuperação, também passou a comprar dívidas dos credores do grupo com grande deságio, tornando-se o principal credor do próprio Pupin.
“A MIDAS/FOURCE e outros credores que parecem atuar em comunhão de desígnios aproveitavam-se de informações privilegiadas para adquirir mais créditos dos Recuperandos, tornando-se seus maiores credores”, diz trecho da denúincia.
A estratégia, segundo a defesa, permitiu à consultoria comprar dívidas baratas e depois cobrar valores superiores do Grupo Pupin, sem prestar contas ao juízo da recuperação. Com isso, o passivo do grupo teria aumentado ainda mais.
“Os contratos e procurações foram utilizados como escudos de fraude, com o escopo de transferir o patrimônio do Grupo Pupin para terceiros, em prejuízo dos credores e da própria função social da empresa”, diz outro trecho do documento.
A petição também levanta suspeitas sobre a recuperação judicial da Bom Jesus Agropecuária, cujo presidente, Nelson Vigolo, firmou delação premiada na Operação Faroeste, admitindo compra de decisões de magistrados da Bahia.
Segundo os advogados, a Bom Jesus — mesmo em recuperação — comprou R$ 540 milhões em créditos do Grupo Pupin. O ex-diretor financeiro da Bom Jesus teria se tornado posteriormente sócio da Fource.
“Causa estranheza que, mesmo enfrentando suas próprias dificuldades financeiras, a Bom Jesus tenha adquirido crédito superior a meio bilhão de reais do Grupo Pupin”, aponta a denúncia.
A defesa de Pupin pede à 1ª Vara de Campo Verdeque anule os contratos e procurações que deram poderes à Fource e que determine a prestação de contas detalhada de todas as ações executadas durante a recuperação judicial.
A Fource nega as acusações. Em nota, afirmou que “todos os atos foram regularmente formalizados e registrados no processo de Recuperação Judicial, com participação e anuência de toda a família Pupin, bem como de seus assessores financeiros e jurídicos”. A empresa disse ainda considerar “estranho que, após tantos anos e às vésperas do encerramento do processo, surjam alegações sem fundamento”.
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