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PF aponta repasses de mais de R$ 850 mil entre empresário e desembargador afastado do TJMT

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Conteúdo/ODOC – A decisão judicial que embasou a deflagração da Operação Gemini revela que o empresário Luciano Cândido Amaral é suspeito de ter realizado pagamentos e movimentações financeiras expressivas em benefício do desembargador afastado Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Os dados foram identificados em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) analisado pela Polícia Federal.

De acordo com os documentos da investigação, Luciano teria quitado 11 boletos bancários ligados ao magistrado ou a pessoas de seu círculo familiar, em operações que totalizam cerca de R$ 258 mil. Além disso, os investigadores encontraram transferências diretas e indiretas que, somadas, superariam R$ 600 mil.

As movimentações são um dos elementos que sustentam o inquérito que apura suspeitas de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. A investigação também envolve o deputado estadual Faissal Calil (PL) e outros alvos da operação deflagrada nesta segunda-feira (8).

Segundo a Polícia Federal, a análise financeira identificou uma relação patrimonial e empresarial considerada atípica entre Luciano e Dirceu. Os investigadores sustentam que as operações vão além de transações comerciais comuns e indicam uma proximidade financeira que merece aprofundamento.

Outro fato destacado na decisão diz respeito a uma negociação imobiliária considerada suspeita. Conforme apurado, uma pessoa identificada pelas iniciais C.L.S.L. recebeu R$ 100 mil do desembargador em uma transação relacionada a imóvel. No mesmo dia, exatamente o mesmo valor foi transferido para Luciano Amaral.

Para os investigadores, a sequência das movimentações e a participação de uma terceira pessoa, identificada pelas iniciais L.H.A., em negociações envolvendo imóveis ligados ao grupo investigado, podem indicar a utilização de mecanismos destinados a mascarar a origem e o destino dos recursos.

A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que operações patrimoniais e financeiras tenham sido estruturadas para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos valores movimentados e ocultar eventuais vantagens indevidas.

Luciano Cândido Amaral e o desembargador Dirceu dos Santos, alvos da Operação Gemini, da Polícia Federal

As suspeitas reforçam apontamentos já feitos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou o afastamento de Dirceu dos Santos em março deste ano. Na decisão, o órgão destacou a existência de indícios de vínculo estreito entre o magistrado e Luciano Amaral, além da presença do empresário em diversas movimentações financeiras analisadas durante a investigação.

A Operação Gemini cumpriu mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo. Além das transações financeiras, a apuração busca esclarecer possíveis favorecimentos em processos judiciais, utilização de empresas para ocultação de patrimônio e práticas que possam caracterizar lavagem de dinheiro.

As investigações seguem em andamento e a Polícia Federal pretende aprofundar a análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a operação.



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