Judiciario
Policial da Rotam acusado de intermediar morte de advogado continuará preso até Tribunal do Júri
Conteúdo/ODOC – O policial militar da Rotam Heron Teixeira permanecerá preso enquanto aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do advogado Renato Nery, morto após um atentado a tiros em Cuiabá, em julho de 2024. A decisão é do juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal da Capital, que também determinou a abertura do prazo de cinco dias para que a defesa apresente testemunhas, documentos e eventuais pedidos de diligências.
Na decisão, proferida nesta quinta-feira (9), o magistrado concluiu que não houve qualquer fato novo capaz de justificar a revogação da prisão preventiva. O entendimento foi firmado após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manter a pronúncia do policial para julgamento popular e rejeitar recurso da defesa.
Ao analisar o caso, o TJMT afastou a alegação de nulidade processual levantada pelos advogados de Heron. Os desembargadores entenderam que a substituição da defesa durante a tramitação do processo não comprometeu os atos já praticados e que a estratégia adotada anteriormente não caracterizou ausência de defesa técnica.
O relator do recurso, desembargador Gilberto Giraldelli, destacou que a gravidade do crime, praticado com armamento de alto poder ofensivo em via pública, e os indícios da participação de Heron na articulação da execução justificam a manutenção da prisão. A decisão também cita elementos que apontam para a atuação de uma organização criminosa estruturada, além do risco à ordem pública e da possibilidade de interferência na instrução criminal por meio de intimidação de testemunhas.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi baleado em frente ao escritório onde trabalhava, no dia 5 de julho de 2024. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital no dia seguinte.
As investigações apontam que o homicídio teria sido motivado por uma disputa envolvendo cerca de 12 mil hectares de terras, avaliadas em mais de R$ 40 milhões. O casal Cesar Sechi e Julinere Goulart é apontado como mandante do crime e integra, segundo o Ministério Público, o chamado “núcleo de comando” da organização. Os dois permanecem presos.
Ainda de acordo com a acusação, Julinere chegou a admitir informalmente participação no planejamento do assassinato, afirmando que decidiu pela execução diante das constantes reclamações do marido sobre a disputa fundiária com Renato Nery. Posteriormente, porém, ela voltou atrás durante depoimento judicial.
A denúncia também atribui papel relevante ao policial militar Jackson Pereira Barbosa, morador do mesmo condomínio do casal em Primavera do Leste (239 km de Cuiabá). Segundo o Ministério Público, ele teria feito a ligação entre os mandantes e o grupo responsável pela execução, oferecendo R$ 200 mil para que Heron organizasse o assassinato.
Heron, por sua vez, teria recrutado o próprio caseiro, Alex Roberto Cardoso, apontado como autor dos disparos. Alex será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri na próxima quarta-feira (15).
As investigações indicam ainda que Jackson forneceu aos executores informações detalhadas sobre a rotina da vítima, incluindo localização do escritório, horários de deslocamento e outros dados utilizados para planejar a emboscada.
Outro policial militar da Rotam, Ícaro Nathan Santos Ferreira, também foi denunciado. O Ministério Público afirma que ele entregou a Heron a pistola Glock G17 calibre 9 milímetros utilizada no crime, adaptada para disparos automáticos, além de intermediar parte do pagamento pela execução.
Segundo a acusação, Jackson teria repassado a Ícaro dois envelopes contendo R$ 90 mil em dinheiro, que posteriormente foram entregues a Heron em Várzea Grande. A Promotoria sustenta ainda que tanto a arma quanto as munições pertenciam à Polícia Militar, circunstância que, na avaliação dos investigadores, reforça a existência de uma estrutura criminosa infiltrada na corporação. Ícaro nega ter fornecido o armamento para o homicídio.
De acordo com a denúncia, Alex Roberto aguardou Renato Nery em frente ao escritório e efetuou sete disparos em sequência, utilizando a arma no modo automático, atingindo principalmente a região da cabeça da vítima. O advogado morreu um dia depois em decorrência dos ferimentos.
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