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Manobra quem faz é o Exército; queremos um julgamento justo

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O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior afirmou, nesta terça-feira (21), antes do início do julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra pelo Tribunal do Júri, que os requerimentos apresentados pela defesa buscaram apenas assegurar o direito à ampla defesa.

 

Nós trabalhamos com a legalidade, com o Código Penal e com o Código de Processo Penal.

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos, como é conhecido, é réu confesso das mortes da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno. O crime ocorreu em janeiro de 2023, em Cuiabá.

 

Somente entre a semana passada e esta segunda-feira (20), a defesa entrou com quatro recursos para tentar suspender o júri popular. Todos foram negados. 

 

Em coletiva de imprensa no Fórum de Cuiabá, o advogado rebateu as críticas de que a defesa estaria utilizando “manobras” para postergar o julgamento.  Segundo ele, o processo foi conduzido com “recortes” de provas e houve restrições ao acesso integral aos autos.

 

“Manobra quem faz é Exército. Nós trabalhamos com a legalidade, com o Código Penal e com o Código de Processo Penal. Nós queremos a ele tão somente um julgamento justo”, afirmou.

 

Durante a coletiva, o advogado sustentou que a acusação construiu sua tese a partir de trechos isolados de documentos, sem considerar o contexto completo.

 

Segundo ele, anotações atribuídas ao empresário, usadas pelo Ministério Público para sustentar a tese de perseguição à ex-companheira, foram retiradas de cadernos pessoais mantidos por Carlinhos desde anos anteriores.

 

“O Ministério Público fez recortes. Quando se analisa a integralidade desses documentos, percebe-se que ele anotava absolutamente tudo desde 2021 e 2022. Se você retira o que você quer, cria-se a sensação de que existia perseguição, de stalking”, declarou.

 

“Tanto é que existe um artigo penal específico, o artigo 147A, e não está tipificado dessa forma. Porque não existiu da forma como colocam, mas aí não vende”, completou.  

 

Acesso às provas

 

Chico Ferreira/Gazeta

Carlinhos Bezerra

O empresário Carlinhos Bezerra, réu confesso de duplo homicídio

Outro ponto levantado pela defesa foi o acesso ao material do processo. De acordo com Elson, a equipe recebeu, a poucos dias do julgamento, cerca de 109 gigabytes de documentos, além de outros processos aos quais ainda não possuía acesso.

 

Ele afirmou que a defesa teve apenas sete dias para analisar o conteúdo, composto por pendrives, CDs, DVDs e milhares de páginas.

 

O advogado disse ainda que a maior prejudicada com eventuais limitações ao direito de defesa não seria apenas a equipe jurídica, mas toda a sociedade.

 

“O prejuízo maior não é da defesa, é da sociedade. Se um caso de comoção recai em um familiar teu, o julgamento vai ser dessa mesma forma. É cerceado o direito de defesa. Isso não pode ocorrer”, afirmou. 

 

Elson também voltou a defender o pedido para instauração de incidente de insanidade mental do empresário, rejeitado pela Justiça.

 

Segundo ele, a solicitação não buscava impedir o julgamento nem resultar na soltura de Carlinhos, mas garantir que o Estado realizasse uma avaliação pericial.

 

Apesar das críticas ao andamento do processo, o advogado afirmou esperar que o julgamento seja concluído ainda nesta terça-feira.

 

Veja: 

 





Fonte: Mídianews

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