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MPE critica atitude de advogados: “É um absurdo, uma aberração

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O Ministério Público Estadual (MPE) classificou como uma “aberração” e uma estratégia meramente protelatória a decisão dos advogados do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra de abandonar o plenário do Tribunal do Júri, na manhã desta terça-feira (21). 

 

Após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento, a defesa vai arguir besteiras

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos seria julgado hoje pelos assassinatos da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, no Bairro Consil, em Cuiabá. Ele é réu confesso. 

 

Para a promotora de Justiça Élide Manzini de Campos, a atitude da defesa representa mais uma tentativa de impedir a realização do julgamento, aguardado há mais de três anos pela família das vítimas.

 

“É um absurdo, uma aberração, uma medida protelatória. Após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento, a defesa vai arguir besteiras, nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas, tanto pelo Tribunal quanto pela juíza da Primeira Vara”, afirmou.

 

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira já marcou uma nova sessão para o próximo dia 31 de julho e determinou que a Defensoria Pública assuma a defesa caso os advogados do empresário não compareçam.

 

Ao abandonar o plenário, a defesa sustentou que encontrou mensagens atribuídas a Thays com data posterior à morte do casal e alegou possível quebra da cadeia de custódia das provas.

 

Élide, no entanto, negou qualquer irregularidade. “Não procede. Conforme consta dos autos, o celular da Thays estava com três horas de diferença. É uma questão de horário do aparelho. É um absurdo o que a defesa anuncia, uma aberração. Não procede”, afirmou. 

 

“É uma estratégia para tentar postergar, prorrogar, suscitar outro incidente de insanidade, o que quer que seja, para esse julgamento não ocorrer. Tudo isso já foi afastado. Não existe motivo algum para esse julgamento não acontecer”, acrescentou. 

 

Segundo a promotora, embora a defesa ainda possa apresentar novos recursos, isso não impedirá a realização do júri.

 

“O réu já saiu intimado para constituir outro advogado, sob pena de a Defensoria assumir. O defensor público, inclusive, estava presente. Eles podem tentar novos recursos, mas isso não será suficiente para impedir o julgamento”. 

 

“Estratégia lamentável”

 

O promotor Vinicius Gahyva Martins também criticou o abandono do plenário e afirmou que esse tipo de prática tem se tornado recorrente em julgamentos de grande repercussão.

 

“Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente em casos que afligem intensamente o interesse da coletividade, como um feminicídio e um duplo homicídio. São duas vidas perdidas e situações que exigem uma resposta da sociedade para que não haja banalização da vida humana”. 

 

“Não é o primeiro abandono de plenário, não é a primeira redesignação. Espera-se a formação dos jurados para provocar esse adiamento com o objetivo de postergar o julgamento e, eventualmente, conseguir um conselho de sentença mais favorável. São estratégias lamentáveis, que extrapolam o direito à ampla defesa e acabam arranhando a imagem do Tribunal do Júri”. 

 

Ao comentar a expectativa do Ministério Público para o novo julgamento, Vinicius afirmou que a responsabilização do empresário dependerá da avaliação dos jurados, mas destacou que as provas reunidas no processo são consistentes.

 

“Não é o promotor, o juiz ou os jurados que condenam o réu. É a própria conduta praticada por ele. As provas produzidas pela Polícia Civil são robustas e não encontramos elementos capazes de afastar essa responsabilização”. 

 

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Fonte: Mídianews

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