Judiciario
Após revelações de delegados, júri de acusados entra no 2º dia
O Tribunal do Júri dos acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, entra no segundo dia nesta quarta-feira (29), no Fórum de Cuiabá. Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondem pelo crime ocorrido em dezembro de 2023, na Capital.
A sessão está prevista para começar às 9h, no Fórum de Cuiabá, e será conduzida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.
Na acusação atuam os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. A defesa é realizada pelos advogados Felipe André Laranjo, Ronaldo Lara Junior, Sarah Quinetti Pironi, Jayme Rodrigues Carvalho Junior e Patrick Igor Lopes Alves.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como o financiador do assassinato de Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria atuado como intermediário entre os mandantes e o executor, enquanto Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado.
Josi Dias/TJMT

O juiz José Mauro Nagib Jorge ao lado do promotore de Justiça Vinicius Gahyva
No primeiro dia de julgamento foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias e Edison Pick, responsáveis pelas investigações do homicídio, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, que conduz a apuração sobre o chamado “celular-bomba” de Roberto Zampieri.
Também prestaram depoimento José Marcos Marini, amigo e sócio do advogado; Mariana Costa Pinto, secretária de Zampieri; e Lucilene Gonçalves da Silva, administradora do hotel onde Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa se hospedaram nos dias que antecederam o crime.
Para hoje, com as desistências de oitivas, a previsão é ouvir apenas mais uma testemunha. Em seguida, terá início a fase de debates entre acusação e defesa.
O primeiro dia de julgamento
Durante os depoimentos, os delegados detalharam elementos da investigação que levaram ao indiciamento dos três acusados.
Segundo o delegado Nilson Farias, ligações telefônicas realizadas por Caçadini antes e logo após o assassinato despertaram a atenção da Polícia Civil e foram determinantes para que ele fosse apontado como financiador da execução.
Já o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo detalhou a análise do material extraído do celular de Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Segundo ele, imagens e capturas de tela armazenadas na galeria do aparelho revelam conversas entre Hedilerson, Antônio Gomes da Silva e Caçadini.
De acordo com Bontempo, o conteúdo apreendido comprova as tratativas para a execução do homicídio e reforça o papel de Hedilerson como intermediário entre o executor e o financiador do crime.
Josi Dias/TJMT

Antônio, Etevaldo e Hedilerson durante o primeiro dia de julgamento
“Há fortíssimos elementos que indicam o envolvimento dos três […] As mensagens identificadas na galeria de fotos do celular do Hedilerson comprovam toda a conversa, todas as tratativas para a execução do crime”, afirmou o delegado durante o julgamento.
Ainda conforme Bontempo, entre as mensagens encontradas pela Polícia Federal está uma enviada por Hedilerson a Caçadini logo após o homicídio, com a frase “Coronel, missão cumprida”, apontada pela investigação como um dos principais indícios da participação dos acusados na execução de Roberto Zampieri.
Segundo as investigações, o homicídio foi motivado por uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo e sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, são apontados pelo Ministério Público como mandantes do crime e responde, a um processo separado.
Ainda durante as oitivas, o delegado da Polícia Federal afirmou que mensagens encontradas no celular de Roberto Zampieri revelam que o desembargador Sebastião de Moraes Filho relatou ter sido ameaçado pelo fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo.
Segundo Bontempo, as conversas mostram que o magistrado afirmou temer a divulgação de supostas provas ou imagens que poderiam comprometê-lo. Dias depois, Sebastião de Moraes Filho se declarou suspeito para atuar em um processo envolvendo Aníbal, decisão que, conforme o delegado, foi criticada por Roberto Zampieri em mensagens encontradas pela Polícia Federal.
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