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Novo júri de acusados de ligação com morte de advogado será realizado nesta terça-feira em Cuiabá

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Conteúdo/ODOC – O julgamento dos três homens acusados de envolvimento na execução do advogado Roberto Zampieri, assassinado com dez tiros em Cuiabá, será realizado nesta terça-feira (29), a partir das 9h, no Fórum da Capital. A sessão anterior, realizada em julho, foi interrompida depois que um dos jurados passou mal.

Os réus são Antônio Gomes da Silva, que confessou ter atirado contra a vítima; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário do crime; e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, suspeito de financiar o assassinato.

O júri será conduzido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá.

Na primeira tentativa de julgamento, em julho deste ano, um dos integrantes do Conselho de Sentença precisou receber atendimento médico após passar mal. Diante do episódio, o magistrado determinou a dissolução do colegiado e o adiamento da sessão.

Agora, será necessário realizar um novo sorteio de jurados e repetir os procedimentos do julgamento em plenário.

Roberto Zampieri foi morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório de advocacia onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

O autor confesso dos disparos, Antônio Gomes, admitiu ter efetuado dez tiros contra o advogado. Conforme as investigações, Hedilerson teria feito a ligação entre os responsáveis pela contratação do crime e o executor, enquanto Caçadini teria fornecido os recursos para a execução.

Os três respondem por homicídio qualificado pela promessa de recompensa e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação também aponta circunstâncias relacionadas ao emprego de arma de fogo de uso restrito e à participação de mais de uma pessoa.

A investigação identificou como possível motivação uma disputa pela Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga, propriedade avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo também foi apontado como responsável por ordenar o assassinato. Os dois, no entanto, respondem à acusação em um processo separado.

Antônio, Hedilerson e Caçadini serão os primeiros acusados a enfrentar o Tribunal do Júri pela morte do advogado. Outra ação penal relacionada ao caso também tramita na Justiça.

Suspeita de venda de sentenças

O assassinato de Zampieri ganhou repercussão nacional após o avanço das investigações sobre o conteúdo de seu celular, que revelou indícios de um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais.

As suspeitas atingiram magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e chegaram a gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entre os desdobramentos está a Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024, que levou à prisão do lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por sua suposta participação no esquema.

As apurações também resultaram no afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos, além do juiz de Vila Rica Ivan Lúcio Amarante, por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Posteriormente, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos foram aposentados compulsoriamente. Os dois permanecem sob investigação.



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