Judiciario
Advogado acusado de espancar e abandonar companheira como morta vai a júri após 20 anos
Conteúdo/ODOC – O advogado Aroldo Fernandes da Luz será julgado nesta quinta-feira (23) pelo Tribunal do Júri de Cuiabá, acusado de tentar matar a então companheira durante um episódio ocorrido em 2005. O caso envolve agressões registradas após uma discussão iniciada ao fim de uma festa de casamento.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o casal mantinha um relacionamento havia cerca de um ano e meio quando participou de um evento no Hotel Fazenda Mato Grosso, na noite de 7 de janeiro daquele ano. Já na madrugada do dia seguinte, a vítima manifestou o desejo de deixar o local, o que teria sido o estopim para o desentendimento.
Ainda segundo a acusação, a discussão evoluiu para violência física no estacionamento. O réu teria desferido socos, chutes e tapas, com maior intensidade na região da cabeça. Em determinado momento, a mulher foi arrastada pelos cabelos. A denúncia sustenta que, acreditando que ela estivesse morta, o advogado colocou a vítima dentro do carro e a abandonou nas proximidades da ponte do Coxipó, na Avenida Fernando Corrêa.
A mulher foi encontrada horas depois, por volta das 4h30, em uma via próxima, pedindo ajuda. Conforme os autos, ela estava desorientada, com sinais de espancamento e coberta por lama e capim. Em seguida, foi socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde.
Laudos periciais apontaram que a vítima sofreu ferimentos graves, sobretudo na cabeça, provocados por instrumento contundente, com risco concreto de morte. O documento também descreve que ela ficou afastada de suas atividades habituais por mais de 30 dias e passou por procedimento cirúrgico para reconstrução facial.
Após anos de tramitação, a Justiça entendeu haver elementos suficientes para submeter o caso ao Tribunal do Júri. A acusação sustenta que o crime foi motivado por razão considerada fútil, o que pode agravar a pena em caso de condenação.
“A motivação apresentada demonstra desproporcionalidade entre o fato e a reação violenta, o que caracteriza a qualificadora”, aponta trecho da denúncia.
Se condenado por tentativa de homicídio qualificado, com base no Código Penal, o réu poderá cumprir pena que varia de 12 a 30 anos de prisão.
A decisão final caberá aos jurados, que irão analisar as versões apresentadas pela acusação e pela defesa antes de definir o desfecho do caso.
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