Judiciario
Após cinco meses, Justiça manda libertar DJ acusado de liderar esquema de R$ 185 milhões
Conteúdo/ODOC – A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a soltura de DJ Diego de Lima Datto, acusado de liderar uma organização criminosa responsável por movimentar cerca de R$ 185 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas no Estado
Os desembargadores seguiram por maioria o voto do relator, Wesley Sanchez Lacerda. O acórdão foi publicado na quinta-feira (29).
Diego e outras 18 pessoas foram alvos da Operação Datar, deflagrada em 14 de agosto de 2025 pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
A defesa entrou com habeas corpus no TJ sustentando
que não haveria contemporaneidade entre os fatos investigados e a decretação da prisão preventiva, além de não estarem mais presentes os requisitos que autorizariam a custódia.
No voto, o relator deu razão à defesa, afirmando que a medida representava uma “indevida antecipação da pena”.
“Em conclusão, os fundamentos utilizados na origem não se revelam suficientes para sustentar a prisão preventiva do paciente, uma vez que se referem a fatos pretéritos, ocorridos entre 01/01/2015 e 19/12/2023, assumindo a referida medida cautelar, na realidade, contornos de indevida antecipação da pena”, escreveu o magistrado.
Assim, determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, com autorização de saída apenas para o exercício de atividade laboral devidamente comprovada, além de comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.
Também foram impostas a proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial e a vedação de manter contato, por qualquer meio, com os demais réus, exceto com seus genitores, exclusivamente para fins de convivência familiar, sendo proibida qualquer tratativa relacionada aos fatos apurados na ação penal.
Operação Datar
A investigação da Denarc revelou que o grupo era composto também por pessoas de outros Estados. O alvo principal foi o DJ Diego Datto, que já havia sido preso em uma investigação anterior da delegacia.
Ao todo, a operação cumpriu 67 mandados, incluindo sete de prisão preventiva, 11 medidas cautelares diversas, 14 mandados de busca e apreensão, 19 ordens de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de 16 veículos automotores.
Os mandados foram cumpridos em Cuiabá, Primavera do Leste, e nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Uma empresa e 19 pessoas foram alvos após descoberta de movimentações financeiras milionárias sem registro legal.
Durante as investigações, constatou-se que diversos alvos da operação, incluindo familiares, movimentavam valores expressivos por meio de contas próprias, sem qualquer lastro documental ou origem lícita comprovada.
Conforme a Polícia, parte dos recursos eram fracionados em pequenas quantias e transitavam entre contas de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar e dissimular a real origem do dinheiro.
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