Judiciario
CNJ prorroga processo contra juiz que atuou no caso Zampieri
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prorrogou por mais 140 dias o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura a conduta do juiz Wladymir Perri, ex-titular da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, por supostas infrações disciplinares na condução do inquérito que investiga o assassinato do advogado Roberto Zampieri.
A decisão foi tomada em sessão virtual encerrada nesta terça-feira (30). Esta é a segunda prorrogação do PAD. A primeira havia sido determinada pelo CNJ em junho de 2025.
Relator do processo, o conselheiro Ilan Presser entendeu que ainda existem diligências pendentes e votou pela ampliação do prazo para conclusão da instrução processual antes da deliberação sobre eventual aplicação de sanção ao magistrado.
Acompanharam o voto os ministros Edson Fachin, presidente do CNJ, e Mauro Campbell Marques, corregedor nacional de Justiça, além dos conselheiros Kátia Magalhães Arruda, Jaceguara Dantas, Andréa Cunha Esmeraldo, Paulo Régis Machado Botelho, Fabio Esteves, Noemia Porto, Silvio Amorim, João Paulo Schoucair, Ulisses Rabaneda, Marcello Terto, Daiane Nogueira de Lira e Rodrigo Badaró.
“O Conselho, por unanimidade, referendou a decisão que prorrogou o prazo para conclusão da instrução do presente Processo Administrativo Disciplinar por mais 140 (cento e quarenta) dias, a contar de 7 de maio de 2026, nos termos do voto do relator”, registra o resultado do julgamento.
Investigação
O PAD foi instaurado em dezembro de 2024 por determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, após a identificação de indícios de desvio funcional na atuação do magistrado.
Entre as supostas irregularidades apontadas está a retenção do celular de Roberto Zampieri, sem disponibilizar o acesso ao conteúdo às partes envolvidas na investigação. Segundo o corregedor, o juiz também teria rompido lacres de envelopes contendo provas sem a presença da defesa.
Para Campbell Marques, as condutas são graves e justificam apuração disciplinar. Ele afirmou haver indícios de quebra da cadeia de custódia das provas.
Na defesa apresentada ao CNJ, Wladymir Perri sustentou que recolheu o material com o objetivo de preservar a identidade da vítima e garantir a integridade das investigações.
Zampieri foi assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá. As conversas do celular do advogado revelaram um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e no Superior Tribunal de Justiça (STJ),.
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