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Coronel acusado de financiar execução de advogado tem transferência negada e seguirá preso em Brasília

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Conteúdo/ODOC – O juiz Mauro Nagib Jorge, presidente do Tribunal do Júri da 11ª Vara Especializada em Justiça Militar, negou a transferência do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas para uma unidade militar em Belo Horizonte. Apontado como possível financiador da execução do advogado Roberto Zampieri, ele continuará preso no Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília.

A defesa sustentou que a mudança para Minas Gerais permitiria maior proximidade com os familiares e facilitaria o acompanhamento médico do coronel. O magistrado, porém, considerou que a permanência no Distrito Federal atende a uma determinação anterior do Supremo Tribunal Federal (STF), adotada para preservar a segurança e evitar prejuízos às investigações.

Na avaliação do juiz, a unidade onde Caçadini está custodiado possui estrutura adequada e oferece o suporte médico necessário. Com isso, a segurança pública e a logística para o andamento do processo prevaleceram sobre o pedido de aproximação familiar.

Caçadini deve permanecer em Brasília ao menos até o julgamento, marcado para o próximo dia 29 de setembro. Ele é acusado de integrar o grupo contratado para matar Zampieri, executado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Em maio deste ano, o Ministério Público de Mato Grosso denunciou nove pessoas por envolvimento no assassinato. A acusação foi apresentada depois que um inquérito complementar, que tramitou no STF sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, retornou ao Estado.

Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados como os mandantes do crime. Conforme o Ministério Público, a motivação estaria relacionada a uma disputa judicial pela posse de uma fazenda avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões, localizada em Paranatinga. Os dois teriam acumulado derrotas em processos nos quais Zampieri atuava.

Também foram denunciados Etevaldo Caçadini, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. Segundo a acusação, eles fariam parte da estrutura criminosa mobilizada para planejar e executar o advogado.

Caçadini, Hedilerson e Antônio já haviam sido denunciados anteriormente pelo homicídio. As investigações foram iniciadas pela Polícia Civil de Mato Grosso e posteriormente aprofundadas pela Polícia Federal.

O assassinato de Zampieri ganhou repercussão nacional após a análise do celular do advogado revelar mensagens e indícios de negociação de decisões judiciais. O conteúdo provocou o afastamento de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pelo Conselho Nacional de Justiça e deu origem a novas frentes de investigação.

Entre os desdobramentos está a Operação Sisamnes, que apura suspeitas de venda de decisões judiciais, espionagem, vazamento de informações sigilosas e homicídios por encomenda. A Polícia Federal também passou a investigar um grupo conhecido como “Comando C4”, sigla atribuída à expressão “Caça Comunistas, Criminosos e Corruptos”, suspeito de envolvimento com ações de espionagem e assassinatos encomendados.



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