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Ex-vereador de MT diz sofrer “coação ilegal”; STJ mantém prisão

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou liminar e manteve a prisão de Valdoir Bento Tavares, ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Nova Nazaré (677 km de Cuiabá), acusado de duplo homicídio. Ele se apresentava como Márcio Túlio Ribeiro Gonçalves, identidade de um primo que morreu ainda criança. 

 

A decisão foi assinada pelo ministro Rogerio Schietti na última terça-feira (29). Valdoir está preso desde 2022. 

 

A defesa recorreu ao STJ alegando que o ex-vereador sofre “coação ilegal” após um desembargador plantonista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) determinar a redistribuição do habeas corpus ao relator responsável pelo caso, em razão de prevenção. O relator ainda não chegou a analisar o pedido de liberdade.

 

Os advogados sustentam que a prisão preventiva foi decretada com base em uma “premissa equivocada” do juiz de primeiro grau e pediram a revogação da prisão ou, alternativamente, a substituição por medidas cautelares.

 

Ao analisar o pedido, Schietti afirmou que o STJ não poderia examinar diretamente a decisão do juiz de primeira instância, uma vez que o caso ainda não havia sido efetivamente analisado pelo TJ-MT. 

 

Segundo o ministro, uma análise do mérito pelo STJ neste momento configuraria supressão de instância, quando uma etapa do julgamento é ignorada e a questão é levada diretamente a um tribunal superior.

 

“Não há, portanto, situação jurídica que permita inaugurar a competência constitucional deste Tribunal Superior para análise do habeas corpus”, escreveu Schietti.

 

O ministro explicou ainda que seria necessário haver, ao menos, uma decisão de desembargador negando o pedido liminar de liberdade para que o STJ pudesse avaliar o caso. 

 

Schietti também afastou a existência de ilegalidade evidente na redistribuição determinada pelo TJ-MT. Segundo ele, já havia um desembargador prevento para analisar o processo porque a defesa havia apresentado anteriormente outro habeas corpus contra a prisão preventiva decretada no mesmo caso.

 

“No caso, a determinação de redistribuição nem sequer é manifestamente ilegal, pois reconheceu-se a existência de relator prevento, porque a defesa já havia impetrado habeas corpus anterior em favor do mesmo paciente contra a prisão preventiva decretada nos mesmos autos de origem”, afirmou.

 

Apesar de negar o pedido, o ministro ressaltou que a decisão não impede que o caso volte a ser analisado pelo STJ após uma decisão colegiada do Tribunal de Justiça.

 

 

O caso 

 

Valdoir foi preso em março de 2022 durante a Operação Camuflagem, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nas cidades de Nova Nazaré e Aurilândia (GO), em investigação sobre um duplo homicídio ocorrido em Ariquemes (RO), em 2007.

 

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), no momento da prisão, ele se apresentou como Márcio Túlio Ribeiro Gonçalves. As investigações apontaram que Valdoir havia assumido a identidade do primo, que morreu ainda criança.

 

De posse da certidão de nascimento do familiar, ele teria obtido documentos como CPF, RG, Cartão SUS, Carteira Nacional de Habilitação e título de eleitor.

 

Com a identidade falsa, Valdoir chegou a ser eleito vereador de Nova Nazaré nas eleições de 2020 e posteriormente presidiu a Câmara Municipal.

 

A Justiça Eleitoral cassou o mandato e anulou os votos recebidos por ele, determinando a retotalização da eleição para vereador. Valdoir havia renunciado ao cargo após ser afastado.

 

Além do ex-vereador, também foi preso na operação o irmão dele, identificado como Valteir Bento Tavares. 

 

De acordo com a Polícia Civil, o duplo homicídio ocorreu em janeiro de 2007, após uma briga por causa de uma vaga de estacionamento em uma festa de réveillon próximo a uma casa noturna. 

 

As vítimas foram identificadas como Éder da Silva Martins e Edeilson Moura dos Santos, que morreram a tiros.

 

Outra pessoa também foi baleada, mas conseguiu fugir a tempo.

 

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Fonte: Mídianews

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