Judiciario
Herdeiros de Nery fazem acordo de R$ 7 mi com investigados
Dois meses após o assassinato do ex-presidente da OAB de Mato Grosso, advogado Renato Gomes Nery, seus herdeiros firmaram acordos com advogados e empresários investigados na Operação Office Crime, deflagrada nesta quinta-feira (28) para apurar quem ordenou o crime.

Os herdeiros não são advogados, eles tem as empresas deles que eles já tocavam, eles querem liquidar essas questões que o pai deles tinham
Os acordos foram celebrados nos dias 20 e 30 de setembro de 2024, pouco mais de dois meses após o ocorrido. Informações exclusivas obtidas pela reportagem do VGN indicam que os filhos de Renato Nery estabeleceram um acordo no qual o espólio e o sócio de Nery, Luiz Carlos Salesse, receberão R$ 7 milhões a título de honorários advocatícios.
Parte desse valor será quitada por meio de 27.343 sacas de soja, conforme previsto no acordo.
O valor acordado será pago por membros da família Sechi, com quem Nery tinha disputas judicias.
Entre aqueles que assinam o acordo está Julinere Goulart Bentos, que tem relacionamento com César Jorge Sechi, os dois foram alvo de busca e apreensão da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O acordo foi assinado com a investigada e outros membros dos Sechi, no dia 20 de setembro, antes da deflagradação da operação.
Outro acordo também obtido pela reportagem do VGN indica que os herdeiros encerraram uma disputa judicial com Wilma Terezinha Destro Fernandes, viúva do fazendeiro Manoel Cruz Fernandes, para quem Nery advogou.
Os herdeiros reconheceram o acordo anterior, assinado pelo próprio Nery, contestado pelo advogado antes de ser morto, quando ele alegou que foi coagido e pressionado a assinar a conciliação.
O advogado da viúva que assinou o novo acordo com os herdeiros, foi Antônio João de Carvalho Júnior, também alvo da mesma operação e denunciado por Renato Nery em uma representação encaminhada à Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), 10 dias antes de ser assassinado.
Segundo Nery, Antônio João seria dono de um verdadeiro “escritório do crime”, cujo objetivo era ameaçar adversários em disputa de terras e comprar sentenças.
O advogado também alegou, na representação, que vinha sendo coagido e pressionado pelo advogado para assinar o acordo para encerrar o processo de disputa por uma terra avaliada em R$ 300 milhões em Novo São Joaquim.
Estas coações seriam feitas através de Agnaldo Bezerra Bonfim, advogado que seria representante de Antônio João e que visitava o escritório de Nery para pressioná-lo. Agnaldo também foi alvo de busca e apreensão na Operação Office Crime.
O último acordo, celebrado com a viúva de Manoel Fernandes, foi assinado no dia 30 de setembro e não teve a participação de Luis Carlos Salesse, sócio de Renato Nery.
Advogado da família comenta os acordos
Segundo o advogado do espólio de Renato Nery, Walmir Cavalheri, os herdeiros do advogado decidiram resolver conflitos do pai após sua morte e buscaram solução via acordos.
“Os herdeiros não são advogados, eles tem as empresas deles que eles já tocavam, eles querem liquidar essas questões que o pai deles tinham, então estão fazendo acordo com todo mundo e eliminando os processos, não é questão de dizer se tinha direito ou se não tinha, o problema é que nesse momento eles querem eliminar as ações”, declarou o advogado.
Questionado sobre acordos com pessoas denunciadas pelo pai antes da morte em representação à OAB/MT e que também foram alvo de busca e apreensão, após o assassinato, o advogado afirmou que não é possível definir quem foi o mandante do crime.
“No fundo todo mundo é suspeito, não podemos dizer que só eles são suspeitos”, afirmou o advogado. “Estamos muito carentes de informações dentro do processo, eu entendo que a polícia está agindo corretamente, está dentro de um segredo para não atrapalhar as investigações, nós queremos que a polícia tenha total liberdade para que se chegue ao mandante”, completou.
Ainda de acordo com Cavalheri, o fato dos nomes citados serem alvo da operação não prova que foram eles os mandantes. Se ficar comprovado que alguns deles são culpados, a família deve avaliar o que será feito sobre os acordos, diz o advogado.
“Não podemos falar quem é suspeito porque nessa questão de Novo São Joaquim se a gente for contar dá mais de 100 pessoas que tem envolvimento nesses problemas das terras”, declarou. “O que nós tentamos fazer é resolver o problema que estava na nossa frente, se for surgir uma outra forma futuramente nós vamos estudar o que nós vamos fazer”, disse o advogado.
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