Judiciario
Justiça de MT barra transferência de coronel para Belo Horizonte
A Justiça de Mato Grosso negou a transferência para Belo Horizonte (MG) do coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como financiador do assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em 2023, em Cuiabá.
Com a decisão, ele permanecerá preso no Batalhão da Polícia do Exército de Brasília (BPEB) até a realização do Tribunal do Júri.
A decisão foi assinada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá, e publicada nesta sexta-feira (14), após pedido apresentado pela defesa do militar.
Caçadini está preso em Brasília desde julho de 2025, por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, ele estava detido no 44º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cuiabá, desde janeiro de 2024.
No pedido, a defesa solicitou a transferência imediata do coronel para uma unidade militar em Belo Horizonte, alegando a proximidade com familiares e as condições de saúde do acusado. Também apresentou uma confirmação do Comando da 4ª Região Militar de que há instalações adequadas para recebê-lo na capital mineira.
Ao analisar o caso, o magistrado afirmou que a existência de outra unidade militar apta a receber Caçadini, por si só, não é suficiente para modificar a determinação anterior do STF.
Segundo o magistrado, a decisão que levou o coronel para Brasília considerou, entre outros fatores, as dificuldades práticas de acesso e comunicação com a unidade militar onde ele estava detido anteriormente em Cuiabá, circunstâncias que prejudicavam o andamento das investigações.
O juiz também destacou a proximidade entre Brasília e Cuiabá e avaliou que a malha aérea entre as duas cidades facilita eventuais deslocamentos necessários durante o andamento do processo.
Em relação à saúde de Caçadini, o magistrado ressaltou que vistorias realizadas em Brasília demonstraram que o BPEB possui estrutura adequada e pessoal qualificado para manter a custódia do militar.
“Nenhuma outra instalação do Exército terá a mesma boa estrutura e quadro de pessoal mais qualificado que o BPEB, até por estar localizado na Capital Federal”, afirmou.
O júri do caso
Inicialmente marcado para 28 de julho, o Tribunal do Júri de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de envolvimento no assassinato de Roberto Zampieri, precisou ser remarcado.
A sessão foi interrompida depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde durante a noite, no Fórum de Cuiabá, e precisou receber atendimento médico.
Diante da situação, o juiz José Mauro Nagib Jorge dissolveu o Conselho de Sentença e marcou um novo julgamento para o dia 29 de setembro de 2026, às 9h.
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