Judiciario
Justiça de MT cumpre ordem do STJ e manda prender quatro PMs
O juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou, nesta terça-feira (23), a prisão preventiva dos policiais militares da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso.

Impõe-se, portanto, a expedição imediata dos mandados de prisão preventiva em desfavor de todos os réus
Os policiais são réus por forjarem um confronto que resultou na morte de uma pessoa e deixou outra ferida, com o objetivo de plantar a pistola Glock G17 usada no homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá.
A ordem cumpre decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em fevereiro deste ano, restabeleceu a prisão preventiva dos quatro policiais.
Os militares haviam sido presos em março de 2025, durante a Operação Office Crime – A Outra Face, deflagrada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles foram soltos em maio do mesmo ano, mediante imposição de medidas cautelares.
Ao decretar novamente a prisão dos réus, o STJ apontou a gravidade concreta dos fatos, a periculosidade dos agentes e o risco de repetição de crimes.
A Corte Superior também considerou a necessidade de preservar a instrução criminal, diante da possibilidade de intimidação das vítimas sobreviventes e de testemunhas.
Na decisão, o juiz ressaltou que a ordem do STJ tem cumprimento imediato e obrigatório, não cabendo à Justiça de Mato Grosso reavaliar o mérito da prisão.
“Impõe-se, portanto, a expedição imediata dos mandados de prisão preventiva em desfavor de todos os réus”, registrou.
Processo na Vara Militar
ReproduÇÃO

Os policiais Jorge Rodrigo, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides e Wailson Alessandro Ramos
No último dia 15, em cumprimento a um acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), o juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Justiça Militar, havia determinado o restabelecimento das medidas cautelares contra os quatro policiais militares em um processo distinto.
Entre as restrições impostas estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de portar armas — institucionais ou particulares — e o afastamento das atividades operacionais.
Ao restabelecer as medidas, o Tribunal levou em consideração a gravidade dos fatos e os riscos à ordem pública e à instrução processual. A decisão também destacou que a permanência dos acusados no policiamento ostensivo poderia comprometer o andamento das investigações.
O caso
O suposto confronto, conforme o boletim de ocorrência, ocorreu na madrugada de 12 de julho de 2024, uma semana após a morte de Nery, na Avenida Contorno Leste, no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá.
Os quatro PMs atendiam a uma denúncia do roubo de um Volkswagen Gol, que teria acontecido cerca de quatro horas antes dos três suspeitos serem localizados pelos policiais, quando estavam a caminho de um desmanche de carros.
Na ação, os policiais afirmam que houve reação e disparos por parte dos suspeitos. Assim, os tiros foram revidados e resultaram na morte de um dos ladrões, deixando um segundo baleado. Já o terceiro envolvido fugiu.
Conforme o B.O., onde consta o relato dos policiais, o trio estava com duas pistolas, uma Glock G17 e uma Jericho.
Entretanto, a reportagem apurou que a perícia feita no local não encontrou nenhuma cápsula deflagrada das pistolas. A suspeita da Polícia é que os PMs tenham plantado não somente a Glock utilizada na morte de Nery, mas também a Jericho.
Na denúncia do MPE, consta que o criminoso que foi baleado e sobreviveu afirmou que eles cometeram o roubo do carro utilizando somente uma arma falsa que compraram online.
Ainda conforme apurado pelo MidiaNews, a vítima do roubo afirmou em depoimento à Polícia Civil que os criminosos portavam somente uma arma. De acordo com o MPE, ambas as pistolas que supostamente estavam em posse do trio não foram encontradas no local do confronto.
Tanto a Glock quando a Jericho foram entregues pelo sargento Jorge Rodrigo Martins ao, na época, delegado titular da DHPP, Rodrigo Azem.
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