Judiciario
Magistrado diz que foi induzido a erro e anula domiciliar de réu
O desembargador Luiz Ferreira da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, afirmou que foi “induzido a erro” e revogou a decisão que havia concedido prisão domiciliar para o ex-servidor da Câmara de Vereadores de Cuiabá e empresário William Aparecido da Costa Pereira, conhecido como ‘Gordão’, alvo da Operação Ragnatela.
A decisão foi publicada nesta quinta-feira (29).
O desembargador havia acolhido um pedido da defesa do empresário, que argumentou que ele passou por um transplante de córnea e alegou que a Penitenciária Central do Estado não tinha condições de oferecer os cuidados necessários para sua recuperação.
“Consoante se infere da decisão encontradiça no ID 235661166 o pedido de urgência foi deferido, tendo em vista que os impetrantes induziram este magistrado a erro, quando afirmaram na exordial que a Penitenciária Central do Estado não teria condições de oferecer ao paciente os cuidados para se recuperar da cirurgia dos olhos a que foi submetido, juntando, como prova dessa assertiva, um relatório do dia 19.08.2024”, escreveu o desembargador.
“Ocorre que, após informações da autoridade tida por coatora que estão no ID 235861153 e seguintes, ficou claro que os impetrantes omitiram informações recentes de que a Penitenciária Central do Estado tem condições de proporcionar ao paciente todos os cuidados póscirúrgicos”, acrescentou.
A unidade prisional informou que acusado foi colocado em uma cela individual para assegurar sua reabilitação em melhores condições de salubridade.
E acrescentou que ele passou por uma avaliação médica oftalmológica nesta quinta-feira (28), às 11h50h, “recebendo as orientações e prescrições necessárias, as quais podem ser ofertadas internamente pela unidade prisional”.
“Logo, fica evidente que o paciente receberá os cuidados pós-cirúrgicos dentro da prisão, não existindo razão, ao menos nesta fase inicial, para conversão da sua prisão preventiva em domiciliar”, escreveu Luiz Ferreira.
“Posto isso, revogo a liminar deferida em favor de William Aparecido da Costa Pereira, devendo ser mantida a sua custódia cautelar, tal como foi determinada pelo juízo de primeiro grau”, decidiu.
Operação Ragnatella
Deflagrada em junho pela Ficco/MT (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), a ação investiga a suspeita de um esquema de lavagem de dinheiro de uma facção criminosa na Capital por meio da compra de casas noturnas e realização de shows.
Além de William, também foram alvos os também ex-servidores da Câmara promoters Rodrigo Leal e Jardel Xavier, os empresários Clawilson Almeida Lacava, o “Gauchinho”, e Agner Luiz Pereira de Oliveira, e o ex-jogador de futebol João Lennon Arruda de Souza.
E ainda Joadir Alves Gonçalves, vulgo “Jogador”, Joanilson de Lima Oliveira, vulgo “Japão”, Ana Cristina Brauna Freitas, Kamilla Beretta Bertoni, Lauriano Silva Gomes da Cruz, Matheus Araujo Barbosa, Rafael Piaia Pael, e Wilson Carlos da Costa.
Todos são réus pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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