Judiciario
TJ mantém bloqueio de bens de empresas do agro acusadas de esquema de R$ 140 milhões
A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou recurso e manteve o bloqueio dos bens e das contas da empresa Sorriso Indústria Têxtil Ltda. e Fibra Cotton Investimentos e Participações Ltda., além de seus proprietários Nadim Makari e Cláudia Angélica Martins Makari, alvos da Operação Safra Desviada, que investiga o desvio de R$ 140 milhões em grãos.
Os desembargadores seguiram por unanimidade o voto do relator, Gilberto Giraldelli. O acórdão foi publicado na última semana.
A operação, deflagrada em fevereiro deste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apura um esquema de desvio sistemático de cargas de soja, milho e algodão do Grupo Lermen e de outras empresas do setor agrícola.
No recurso, a defesa tentava reverter a decisão que determinou o sequestro de bens imóveis e o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 24 milhões para cada um dos investigados.
No voto, o desembargador destacou que a decisão de primeiro grau que determinou o bloqueio foi fundamentada em relatórios técnicos e de inteligência financeira produzidos pelo Gaeco, que apontam a existência de um esquema estruturado para desvio de safra e ocultação de ativos.
O relator observou ainda que os elementos reunidos na investigação indicam que os requerentes teriam participado de operações de triangulação financeira com a empresa Union Comercial e Transporte, por meio de cessões de crédito cuja validade é questionada no inquérito.
Para ele, a alegação da defesa de que as operações eram regulares não afasta os indícios de que os instrumentos possam ter sido utilizados para ocultar recursos desviados.
“A interpretação sistemática das provas coligidas até o momento indica que os requerentes, por meio da empresa Sorriso Indústria Têxtil Ltda., teriam participado de operações de triangulação financeira com a empresa Union Comercial e Transporte, cujos créditos seriam oriundos de cessões de validade questionada na investigação”, diz trecho do voto.
A operação
A Operação Safra Desviada foi deflagrada pelo Gaeco em 25 de fevereiro de 2026 para investigar um suposto esquema de desvio de grãos que teria causado prejuízo estimado em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor agrícola.
Segundo as investigações, os envolvidos integrariam uma organização criminosa responsável pelo desvio de cargas de soja, milho e algodão, além da manipulação de registros internos, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas.
Na ocasião, a Justiça autorizou mais de 180 medidas cautelares, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, sequestro de veículos e indisponibilidade de imóveis de pessoas físicas e jurídicas investigadas em Mato Grosso e outros quatro estados.
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